uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante

Transição

Há dias participei numa interessante conferência/tertúlia sobre a Transição em curso. Esta é uma palavra que chegou para ficar. Ao que ouvi, e se sente, estamos numa profunda mudança de paradigmas.O mundo em que nascemos já não existe. Assistimos todos os dias à falência de muitos dos edifícios sociais e económicos em que descansámos durante décadas. Estamos agora no tempo da transição para algo diferente. O quê? Mudar o quê? Está é a grande questão. Onde chegámos, onde estamos, já todos, mais ou menos, o sabemos. Para onde vamos? É a grande questão. Esta mudança faz-se a vários níveis, desde o mais pessoal ao global. Todavia aquele que mais nos interessa é o local. É a esta escala que podemos (devemos) atuar. Voltámos a saber que é a este nível que estão os recursos que nos são mais essenciais. Ouvi que alguns já o estão a experimentar. Acontece por todo o mundo mas na nossa terra também. Em Portalegre no último verão aconteceu uma grande iniciativa, - aquilo que os mais antigos conhecem, a Ajudada; em Portalegre durante três dias ajudaram-se uns aos outros - Paredes, Telheiras (Lisboa) e Torres Novas são lugares onde há gente que veste esta camisola da Transição. Aqui no Tejo, o movimento “Torres Novas em Transição” apresenta-se assim: “de forma geral, buscamos novas formas de estar, habitar, alimentar, educar e produzir conscientemente situados na nossa bio-região, informados pelas suas dinâmicas culturais, sociais e naturais.” No fundo é esta a incontornável Transição que está a acontecer, queiramos ou não. Nas nossas terras todos já concluímos que a mudança é incontornável. Um novo modo de vida, melhor, mais sustentável, mais solidário e mais dependente dos seus próprios recursos, saberes e cultura. Um modelo com mais valor e menores impactos. Soluções são necessárias e o nível local é a escala ideal para as encontrar e experimentar.As nossas terras, terras do Tejo, têm todas as condições para iniciarem um caminho neste sentido. Pequenos passos, com rumo, levam-nos a lugares bem melhores, inimagináveis. Quanto mais depressa começarmos melhor, sempre com pequenos passos não há razão para evocarmos os habituais impedimentos (crise, contexto internacional, atual situação, “governo”, etc.).Temos três alternativas: ignoramos, assistimos ou participamos a escolha é sua.Carlos A Cupetocupeto@uevora.pt Professor na Universidade de Évora

Mais Notícias

    A carregar...