uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante

Visionário Manuel Serra d’Aire

Edição de 04.06.2014 | E-mails do outro mundo
As tuas capacidades de adivinhação são surpreendentes. Falavas tu no teu último email da capacidade que alguns políticos têm para se colar ao poder sempre que pressentem ventos de mudança e não te enganaste. Poucos dias depois de terem aplaudido com entusiasmo o pobre Seguro pela sua paupérrima vitória nas eleições europeias, os nossos conhecidos Jorge Lacão e Idália Serrão já tinham imensas dúvidas quanto à capacidade de liderança do Tó-Zé e pediam um congresso extraordinário para clarificar a situação no partido. Ou seja, de um momento para o outro passaram da euforia da vitória à tormenta das dúvidas. Bastou chegar-se à frente António Costa, o líder que provavelmente irão aplaudir freneticamente daqui a uns tempos. Até que este perca o encanto e surja outro salvador da pátria socialista para ovacionar.A um conhecido meu catalogaram-no clinicamente como bipolar e receitaram-lhe uma série de terapias, pois alternava a euforia com a depressão com uma constância surpreendente. A mulher dele passava de musa inspiradora da sua vida a bruxa malvada no espaço de horas. Portugal passava de choldra mal frequentada a pátria amada após beber cinco imperiais. A bipolaridade é a doença da moda no nosso país. Uma autêntica epidemia.E foi precisamente com receio de uma epidemia que Moita Flores, nos saudosos tempos em que foi presidente da Câmara de Santarém, mandou construir um centro de atendimento para doentes da Gripe A. O local escolhido foi o antigo quartel da Cavalaria, mas apesar das obras feitas em 2009 o tal centro de atendimento nunca chegou a funcionar. Nem para receber engripados nem para pacientes de outros males, como unhas encravadas ou pé de atleta. Ah! Existe um pormenor nesta história: essas obras custaram 400 mil euros mais IVA e não foram pagas. Muita gente estranha o investimento nessa e noutras obras que a autarquia foi agora obrigada pelo tribunal a pagar, querendo-se atirar o odioso da questão para cima do ex-autarca, agora só escritor, comentador, criminalista, argumentista, cronista, entre outras actividades. Mas que culpa teve o homem que o vírus da Gripe A não tenha atacado em força em Santarém e que o famigerado inimigo tenha sido derrotado por falta de comparência? Diz o povo que homem prevenido vale por dois. E Moita Flores limitou-se sensatamente a seguir o ditado. Já o mesmo não se pode dizer do empreiteiro que ficou a arder com a massa...Tal como a Comissão Nacional de Eleições (CNE) não consegue distinguir um texto humorístico de um texto sério, também os portugueses não conseguem divisar, entre os vários partidos e candidatos que por aí pululam, alguém que levem a sério e que seja minimamente mobilizador ao ponto de os levar a perder meia hora de um domingo para se deslocarem a uma assembleia de voto. No dia em que a CNE se deixar de preocupar com “pentelhices”, pode ser que as coisas comecem a mudar. Até lá, agradeço o facto de haver gente que é paga com o dinheiro dos contribuintes para fazer os números de humor que a CNE protagoniza e que nem a inspiração dos nossos melhores comediantes consegue superar. Num país deprimido, haja quem nos alegre. E a CNE consegue fazê-lo com uma regularidade assinalável. Bem haja, pois! E estou a falar a sério, para que não restem dúvidas para aquelas bandas...Saudações do Serafim das Neves

Mais Notícias

    A carregar...