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Presidente da AIP quer plano urgente para reestruturar dívida das empresas

Declarações de José Eduardo Carvalho na conferência sobre mercados da Lusofonia
Edição de 04.06.2014 | Economia
“O endividamento constitui um dos principais constrangimentos e estrangulamentos para o crescimento e desenvolvimento das empresas pelo que, espero, possa haver resposta por parte do Governo, para a reestruturação da dívida”, afirmou o presidente da AIP na sessão de abertura da Conferência “Oportunidades de Negócio nos Mercados Regionais da Lusofonia”, no dia 29 de Maio, em Lisboa.Para José Eduardo Carvalho, a dimensão da divída bruta das empresas e a insuficiência dos capitais próprios “bloqueia e condiciona o crescimento e o reforço das exportações. Ronda os 307 mil milhões de euros. 183% do PIB. E, daqueles, 118 mil milhões de euros estão parqueados na banca. Daí que se torna urgente um plano para reestruturar a dívida das empresas. Só é possível termos menos dívida se a conseguirmos reestruturar”.Mesmo que o sector exportador tenha tido um acesso mais facilitado ao crédito, “urge corrigir e reestruturar a sua dívida. Trata-se de uma condição essencial para aumentar a competitividade externa da nossa economia, uma vez que não conseguimos ajustar a taxa de câmbio real, que está sobrevalorizada, nem evitar a contínua valorização do euro face ao dólar, que condiciona muito as transacções comerciais com os mercados fora da União Europeia. Fizemos uma análise aos rácios do EBDITA sobre a dívida nas sociedades comerciais que entregaram IES em 2012 (este rácio mede a capacidade de liquidação da dívida com base nos cash flows actuais) e chegamos à conclusão que demoraria, em média, 13 anos para liquidar toda a dívida actual”, explicou o presidente da AIP. “A retoma do crescimento, que neste momento se verifica, tem de se fazer pela via das exportações”, defendeu José Eduardo Carvalho, “e não por défices orçamentais ou consumo das famílias. Para isso, é necessário que se prossiga a política de articulação entre o ministério da Economia, a AICEP e as associações empresariais. É necessário concentrar os escassos recursos públicos que dispomos neste desafio”. O empenho da AIP na dinamização de um conjunto de projectos para reforçar a componente exportadora para os países da CPLP e para os mercados regionais onde estão inseridos explica-se, de acordo com José Eduardo Carvalho, porque foram os mercados da CPLP que “suportaram a produção e asseguraram a sobrevivência do sector transaccionável da nossa economia. A alteração da matriz exportadora está relacionada com os mercados da CPLP. A procura externa daqueles mercados enquadra-se no perfil tecnológico médio do sector transaccionável da nossa economia e que é dominante na nossa estrutura produtiva. Exportamos 4,5 mil milhões de euros para os países da CPLP, ou seja, 10% do total das nossas exportações. E Angola tem uma quota de 70% daquele valor”. “A componente estrutural das nossas exportações não depende só dos veículos automóveis ou dos produtos petrolíferos. Os produtos metálicos e as máquinas e equipamento exportam mais que o sector automóvel ou que os produtos petrolíferos”, precisou o presidente da AIP.

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