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Plataforma Logística da Castanheira é um “fantasma” porque chegou com vinte anos de atraso

Plataforma Logística da Castanheira é um “fantasma” porque chegou com vinte anos de atraso

Sérgio Soares, director-geral da STEF na Póvoa de Santa Iria e Alverca, que emprega 360 pessoas

A STEF é um dos maiores empregadores da zona sul do concelho de Vila Franca de Xira. O director-geral da empresa considera que os municípios “ganhavam mais” se procurassem sinergias com os seus vizinhos e ouvissem os operadores. Destaca pela positiva as políticas do concelho e considera que a crise não é um mar de oportunidades mas sim um flagelo social.

Edição de 04.06.2014 | Sociedade
A plataforma logística da Castanheira do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira, é uma plataforma “fantasma” que nunca resultou porque foi feita fora de tempo e afastada das necessidades dos operadores logísticos. Sérgio Soares, director-geral da STEF, um dos principais operadores logísticos europeus, que emprega 360 pessoas nas suas instalações em Alverca e Póvoa de Santa Iria, diz que se a plataforma tivesse sido construída há 20 anos teria sido um sucesso.“É uma plataforma fantasma. Há realidades em que o Estado não pode ocupar o lugar dos privados e promover artificialmente uma localização para as empresas. Deve planear o território para permitir que haja áreas em que as coisas aconteçam e depois deixar que a actividade privada escolha o seu caminho”, defende Sérgio Soares. Para o gestor, o programa “Portugal Logístico”, promovido pelo ex-governo socialista de José Sócrates, que levou à construção das plataformas de Castanheira e Poceirão, não funcionou porque quando os espaços ficaram prontos já os operadores tinham investido em novos armazéns para os seus negócios. “Além disso coincidiu com o início da crise”, nota. “Um dia a plataforma da Castanheira estará ocupada porque se situa num bom local. Mas esse dia não será amanhã”, lamenta. Na entender do director-geral da STEF, a falta de diálogo entre os municípios é também um problema para os operadores logísticos, destacando o papel positivo de Vila Franca de Xira face a outros concelhos.“Hoje em dia quando uma empresa quer instalar 30 mil metros quadrados num concelho não encontra terreno. Isto porque cada município decidiu criar a sua própria área industrial, que é de um tamanho minúsculo para a necessidade de algumas empresas. Acabamos com muitos concelhos cheios de pequenas áreas, que não respondem às necessidades das maiores empresas”, lamenta. Para Sérgio Soares os municípios “ganhavam mais” se procurassem sinergias com os seus vizinhos e ouvissem os operadores. “Nota-se que há autarcas muito competentes mas que ainda falham nos processos de cooperação”. No entanto destaca que “o concelho de Vila Franca tem tomado medidas que são favoráveis à criação de emprego”. Para o director-geral da STEF a exportação “não é a solução para todos os males” e diz que se as empresas tivessem sido mais ambiciosas e tivessem exportado quando o quadro económico era melhor não teríamos hoje empresas em dificuldades e dependentes do mercado interno. “Andamos sempre a reagir aos problemas em vez de nos adiantarmos”, nota. Para Sérgio Soares é “uma satisfação” pertencer a uma empresa que é um dos maiores empregadores da zona sul do concelho de Vila Franca. Um território que classifica como “irresistível” para os empresários, basta saber aproveitá-lo. “É um território de grande densidade populacional, o que significa que tem recursos humanos disponíveis e isso é essencial para a nossa actividade. Tem uma localização excepcional. Concilia a proximidade com a grande Lisboa e fica situado no eixo entre o sul e o norte do país. A proximidade das vias de circulação e a qualidade da mão-de-obra tornam esta região incontornável. Não há outra melhor para o desempenho da nossa actividade”, refere. Para o gestor a crise não é um mar de oportunidades mas sim um flagelo social. “Quando falamos na economia e nos dados económicos vemos sempre a perspectiva macro mas depois a realidade das pessoas e das famílias é algo dramático. As oportunidades não são maiores que os danos sociais causados pela crise”, lamenta. Sérgio Soares diz que não é fácil encontrar um culpado para a actual crise económica e que terá de ser a história, desapaixonada, a fazê-lo. “Hoje o contribuinte questiona a classe política sobre as opções dos investimentos públicos. A crise tornou-nos a todos mais exigentes, há a consciência de que o dinheiro do Estado é dos cidadãos e não aparece nos gabinetes de Lisboa por milagre. De todos os fenómenos maus da crise isto é o que nos pode servir de lição”, conclui.Um gestor que sonha conhecer a ÁsiaSérgio Fernando Soares, 41 anos, é desde Outubro de 2006 director-geral da STEF. Entrou em 1996 num programa de formação da empresa orientado para jovens com potencial e recém-licenciados. Fez de tudo um pouco, desde preparar encomendas, carregar camiões ou acompanhar motoristas. Esteve três anos e meio fora da STEF, onde se dedicou à edição e distribuição livreira na Bertrand. Em 2003 foi convidado para voltar à STEF e assumir o posto de director de operações. Foi sempre subindo na estrutura da empresa e chegou a director-geral. É natural do Barreiro e vive em Lisboa. Tem uma filha de sete anos com quem gosta de estar nos tempos livres. Diz que a gestão é um misto de proactividade com assunção de riscos controlados, salientando que o concelho de Vila Franca tem muita vitalidade empresarial, com o rejuvenescer de actividades. Desliga-se do trabalho convivendo com os amigos, é benfiquista e gosta de Radiohead e música portuguesa. Está a ler “Dentro do Segredo” de José Luís Peixoto e tem curiosidade em conhecer a Ásia. A amizade é o que lhe dá mais gosto na vida. É leitor de O MIRANTE e destaca o papel do jornal na difusão de notícias importantes para a comunidade.Não existem processos disciplinaresSérgio Soares nega que tenham existido processos disciplinares instaurados a trabalhadores que faltaram ao trabalho nos feriados do 25 de Abril e 1º de Maio e diz-se “triste” pelas críticas “injustas” que têm sido feitas pelos sindicatos. “Entristece-me porque sinto que há uma grande diferença entre esse discurso e a realidade vivida dentro da empresa. A STEF é muito cumpridora e consciente da importância dos trabalhadores. Não é verdade que tenham sido levantados processos disciplinares”, garante o director-geral da STEF.Sérgio Soares diz que a empresa dá condições “como nenhuma outra” e que é um espaço “ideal” para trabalhar. “Naturalmente que há insatisfações que resultam da situação do país e que depois entram para dentro da empresa. As pessoas pagam hoje mais impostos e o pagamento do trabalho suplementar é hoje mais baixo do que era, e isso gera sempre uma grande frustração”, justifica o responsável. Garantindo que a empresa vai continuar a contratar novos trabalhadores, salienta que “em 90 por cento das questões, o interesse da companhia e dos trabalhadores é coincidente”. “Queremos continuar muitos anos no concelho de Vila Franca”O director-geral da STEF garante que a posição da empresa é confortável e que “viverá tranquilamente” nos próximos 20 anos. Sérgio Soares assegura que não há planos para deslocalizar a empresa. “Pensamos ficar no concelho de Vila Franca de Xira durante muitos anos. Estão investidos mais de 20 milhões de euros nesta plataforma”, regista. A STEF está em Alverca desde 1995 e na Póvoa desde 2005. Em 2008 foi feita uma grande obra de ampliação. Por dia são carregados 150 camiões nas suas instalações, de clientes como a Ferrero, Nestlé, Haagen-Dazs e Auchan.A STEF é um dos principais operadores logísticos da Europa, especializado na armazenagem, preparação de encomendas, gestão de stocks e transporte de produtos que necessitam de frio e temperatura controlada. Sempre que alguém consome um produto refrigerado ou congelado de uma grande superfície, a probabilidade é que tenha sido transportado pela STEF. A empresa tem também vários protocolos sociais assinados com entidades da zona, apoiando os Bombeiros da Póvoa de Santa Iria, Companheiros da Noite e Banco Alimentar. No último ano a facturação da empresa rondou os 39 milhões de euros.
Plataforma Logística da Castanheira é um “fantasma” porque chegou com vinte anos de atraso

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