Águas do Centro garante que descarga de esgotos no Nabão “foi situação pontual”
Situação de poluição ambiental, em Tomar, já tinha sido denunciada à autarquia por um munícipe mas a câmara só actuou na passada semana. Avaria esteve na origem do problema.
A descarga de esgotos no rio Nabão, junto ao Padrão Filipino, em Tomar, que estava a ser feita a partir do descarregador da estação elevatória de Marmelais, propriedade da empresa Águas do Centro, já foi ultrapassada e teve o conhecimento das autoridades. “Tratou-se de uma situação pontual, decorrente de uma avaria do equipamento de elevação da estação elevatória de Marmelais, que foi prontamente solucionada pela equipa de Manutenção da Águas do Centro”, garantiu a O MIRANTE, Amável Santos, administrador delegado da Águas do Centro. O responsável explicou que, na sequência de uma avaria no equipamento da estação elevatória de Marmelais, a sua reparação obrigou ao esvaziamento do poço da mesma, tendo que ser utilizada a descarga de emergência dessa instalação. “Uma intervenção que foi devidamente comunicada à entidade licenciadora - Agência Portuguesa do Ambiente”, garantiu.A situação foi denunciada ao executivo camarário pela presidente, Anabela Freitas (PS), na reunião de 9 de Dezembro, tendo na ocasião sido exibido um filme que atestava a situação de poluição ambiental. “Está em causa o emissário das Águas do Centro que desagua perto do padrão e que depois vai para um canal debaixo do rio e que drena tudo para a estação de tratamento respectiva. De forma recorrente, a estação elevatória está avariada. Quando isso acontece, os resíduos não são puxados como deve de ser e temos uma situação de correr esgoto a céu aberto”, denunciou. Anabela Freitas explicou que os recentes trabalhos de limpeza feitos nas margens do rio levaram à detecção desta situação que “era do total desconhecimento da actual gestão do município” mas, há um mês, Américo Costa, ambientalista do grupo AQUA, deu conta da situação numa intervenção feita em reunião de câmara pública. “Este problema arrasta-se há mais de 30 dias e só depois da nossa intervenção é que a Câmara de Tomar decidiu actuar. Só sei que todos os meses pago, na factura da água, a taxa de esgotos e saneamento mas, pelos vistos, para nada. Devolvam o dinheiro dos contribuintes”, reclamou.A autarquia, numa nota enviada à comunicação social, mantém que só teve conhecimento da situação quando as margens do rio ficaram livres de ervas e arbustos. “A válvula de maré, colocada na margem esquerda do rio Nabão, junto à rotunda do Padrão Filipino, demonstra as enormes dificuldades que esta empresa tem tido na gestão da estação elevatória e em dar andamento às recomendações técnicas permanentemente dadas pelos SMAS, desde que em Fevereiro de 2008 esta infra-estrutura passou para a sua gestão”, critica o município que, nessa data, “exigiu formalmente à empresa Águas do Centro a rápida resolução do problema, de impacto ambiental grave”. A autarca acrescentou que o caso foi também comunicado à Brigada do Serviço de Protecção Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR de Tomar. “Esta é, efectivamente, uma situação de crime ambiental mas estamos a actuar. A estação de tratamento não está a fazer a bombagem e daí que tudo o que é esgoto de uma grande parte da cidade está a correr daquela forma. Isto, se calhar, já se passa há alguns anos, só que tudo estava encoberto pela vegetação”, atestou Anabela Freitas.
Mais Notícias
A carregar...

