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O chouriço foi a enterrar em Arcena no meio de grande reinação

O chouriço foi a enterrar em Arcena no meio de grande reinação

Na noite de Quarta-feira de Cinzas encerraram-se os festejos carnavalescos com versos brejeiros, numa tradição recuperada há oito anos e que parece ter vindo para ficar.

Edição de 25.02.2015 | Sociedade
A boa disposição reinou na noite de Quarta-Feira de Cinzas durante as mais de duas horas que os foliões correram os principais cafés e tascas de Arcena, na freguesia de Alverca, no tradicional “enterro do chouriço” com que se fecha por aquelas bandas os festejos carnavalescos. Entre cantorias e choros desmesurados da “viúva” e da “menina órfã de pai”, iam o atrevido padre e o afortunado sacristão a acompanhar o enterro fúnebre. O coveiro também não faltou à festa, mas, como ele próprio dizia, para si só lhe sobravam os ossos. Os papéis foram interpretados a preceito, assim como os versos cantados fizeram sobressair o espírito de brincadeira a que o momento apelava. Alterados pela primeira vez, em mais de 20 anos, por Inocêncio Casquinha, que acompanhou toda a festa à viola, estão agora mais aprimorados e extensos, mas sempre com o mesmo espírito “reinadio” dos anteriores.Deolinda Rosa, vive em Alverca e acompanhou todo o cortejo, assim como nos dois anos anteriores. Acha graça à tradição e diz que esta é uma forma de passar bem o tempo. O mesmo acontece com António Paulino, morador na Calhandriz, embora seja esta a sua primeira vez no enterro do chouriço. “Os versos são bons para a época e condizem com o conteúdo da festa”, referiu o folião, que se mostrou sempre muito sorridente durante todo o percurso. Natália Gonçalves, por seu turno, já é uma veterana nestas andanças. Veio de propósito do Forte da Casa para acompanhar o “enterro” e confessa que “está a melhorar de ano para ano, com mais iniciativas, novos versos e mais pessoas a aderirem”.Organizado por elementos do Rancho Folclórico de Arcena e pela Casa do Povo daquela localidade, o enterro do chouriço, após ter entrado em desuso, voltou a animar a noite seguinte ao Carnaval de há oito anos a esta parte. Os participantes têm sido praticamente sempre os mesmos desde 2008 e têm um objectivo comum: manter os costumes e tradições da terra.Aqui fica uma parte da cantoria que despertou o interesse dos habitantes de Arcena e outras terras vizinhas na noite que ditou o final do Carnaval 2015.ViúvaSou a triste viuvinhaNão quero ficar sozinhaTêm de compreenderNum impulso, num momentoPor certo não me aguentoSe outro Chouriço aparecerSou viúva, na verdade,Mas tenho necessidadeDe manter acesa a chamaVai o defunto a enterrarCom ele não posso contarVou levar outro p’ra camaFilhaÉ assim mesmo, mãezinhaMas, como já se adivinhaO povo vai remorderDeixa lá falar quem fala,Más-línguas ninguém as calaPosso ajudar-te a escolherAgora, pensando nisso,Onde é que se encontra um ChouriçoBelo como o pai não háTão jeitoso como eleSó se for este, ou aqueleOu este mesmo: aqui está!PadreEu sou padre, sim senhoresSei mais que muitos doutoresSou quase um bispo, afinalSou de uma esperteza sábiaTenho manha e muita lábiaPodia ser cardealRogo ao senhor nas AlturasConsolai estas criaturasPobre filha e pobre mãeCá na terra eu a revezesQuero amiudadas vezesIr consolá-las também
O chouriço foi a enterrar em Arcena no meio de grande reinação

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