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Vila Franca Centro assaltado e vandalizado com prejuízos de milhares de euros

Vila Franca Centro assaltado e vandalizado com prejuízos de milhares de euros

Comerciantes ficaram incrédulos com o cenário que encontraram na última semana

Larápios terão entrado por uma abertura existente no edifício por uma rua paralela. Os danos são maiores nos pisos 1 e 2, onde praticamente todas as montras foram destruídas.

Edição de 25.02.2015 | Sociedade
Encerrado há um ano e quatro meses, o Vila Franca Centro, centro comercial situado no centro de Vila Franca de Xira, foi assaltado e vandalizado na última semana e os prejuízos são na ordem dos milhares de euros. O caso já está entregue à Polícia Judiciária.Na última semana, segundo vários lojistas, um grupo de pessoas terá entrado às escondidas no edifício, através de uma abertura situada numa das ruas paralelas, e destruiu tudo o que encontrou no caminho - montras, portas, vasos, candeeiros, expositores, objectos que ainda restavam em algumas lojas e até os poucos extintores que existiam nos corredores foram usados para espalhar pó químico pelas paredes e pelo chão do espaço. O rasto de destruição ficou bem patente nos corredores. Apesar do aparato ninguém da vizinhança ouviu qualquer barulho e os danos foram particularmente acentuados nos pisos 1 e 2 do centro comercial. Onde em tempos funcionou um restaurante de comida rápida (no piso dos cinemas) também há registo de danos avultados. Algumas lojas ficaram sem vários produtos, alguns valiosos.O Vila Franca Centro, que foi outrora o principal espaço comercial do concelho de Vila Franca de Xira, está mergulhado na escuridão profunda porque a iluminação foi cortada no seu interior. Também não tem água nem gás e os elevadores estão parados.As únicas pessoas que continuam com autorização para entrar no centro são os donos das lojas, que só conseguem caminhar com a ajuda de lanternas ou outros focos de luz portátil. Vários lojistas confessaram a O MIRANTE que o cenário é “assustador” e “diabólico”. Para poderem entrar precisam de pedir a chave numa recepção situada no parque de estacionamento, que é o único elo de ligação à empresa que geria o centro comercial (Circuitos, do grupo Obriverca) e que hoje em dia só tem como actividade comercial a gestão do parque de estacionamento.Desde que o espaço foi assaltado a recepção passou a restringir o acesso, limitando a entrada no centro comercial apenas a pessoas que sejam donas de lojas. A maioria dos donos utiliza as lojas apenas como armazéns para guardar material. Outros comerciantes, como Fátima Martins, optaram por deixar tudo como estava, na esperança de ver o recinto abrir portas um dia. Até porque, recorda, investiu mais de 500 mil euros em duas lojas que, hoje, não servem para nada. “Na minha loja [um cabeleireiro] acabaram por destruir tudo e remexer o espaço, cadeiras, móveis, tudo. É pena que a empresa responsável pelo centro nem sequer tenha tido uma palavra connosco depois disto que aconteceu. Investimos ali vinte anos da nossa vida para nada e ainda há gente a acabar de pagar lojas que ali comprou”, lamenta.Investimento ruinoso deixou lojistas em maus lençóisVários lojistas dizem que o encerramento do centro veio estragar, de um momento para o outro, a vida inteira de quem ali apostou num negócio. E há mesmo quem diga que o encerramento foi forçado. “Quem tinha a maioria das lojas naquele edifício era a Obriverca, pelo que nas assembleias a posição e a opinião dos lojistas nunca era suficiente para ganhar, porque eles tinham mais de 70 por cento das lojas. Era a Obriverca a grande devedora do condomínio”, lamenta Fátima Martins.Recorde-se que dos 155 espaços comerciais disponíveis para lojas, apenas 23 estavam ocupados em 2013. Os elevados valores pagos de condomínio eram também criticados pelos comerciantes. Por duas lojas de tamanho médio os valores rondavam os 1500 euros mensais. “Não entendo por que motivo a câmara não interfere na situação e não tenta arranjar uma solução para ali para que as coisas se resolvam”, lamenta outra comerciante, que desejou manter o anonimato. É dona de uma loja em que ainda deve mais de 60 mil euros ao banco. “Vou andar a vida toda a pagar uma loja que não me serve para nada e que ainda por cima agora ficou toda partida. Aquilo nem tinha um seguro nem tinha segurança nem nada. Eu pergunto agora quem paga”, critica.O MIRANTE tentou contactar a empresa responsável pelo edifício mas tal não foi possível até à data de fecho desta edição.Vila Franca Centro não durou 20 anos O Vila Franca Centro encerrou no final de Outubro de 2013 depois de a administração ter informado os lojistas que a situação se tornara insustentável do ponto de vista financeiro e que já não havia condições para assegurar a continuidade do centro comercial, alegando dívidas dos comerciantes para com o condomínio. Nesse ano, conforme noticiámos, o centro continuava aberto apenas porque todas as entidades com responsabilidades na segurança alimentar e económica fechavam os olhos. As escadas rolantes estavam por limpar, alguns elevadores estavam avariados, os extintores estavam fora de prazo e um relatório municipal revelava falhas graves de higiene. Só depois da notícia de O MIRANTE as autoridades decidiram agir. O centro comercial Vila Franca Centro abriu em 1994 com 155 espaços disponíveis para lojas, estacionamento e cinemas.
Vila Franca Centro assaltado e vandalizado com prejuízos de milhares de euros

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