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Rádio de Samora Correia comprada por chinês pode estar a caminho de Lisboa

Rádio de Samora Correia comprada por chinês pode estar a caminho de Lisboa

No Porto Alto fala-se na saída da rádio da terra para a capital

A única rádio da zona que transmite notícias foi comprada por um chinês e já se fala que pode estar de malas aviadas para Lisboa.

Edição de 22.07.2015 | Sociedade
A maioria do capital social da Rádio Íris, única emissora local dos concelhos de Vila Franca de Xira, Benavente e Azambuja que produz informação regular, foi comprada por um chinês, Liang Zhang, e pode estar de malas aviadas para novos estúdios em Lisboa.O facto de toda a equipa da Íris ter estado recentemente em Lisboa na inauguração dos novos estúdios de média de um grupo ao qual está ligado o novo dono da rádio de Samora Correia, fez correr alguma especulação e preocupação nas redes sociais. Para já os estúdios da rádio em Samora Correia continuam em funcionamento e O MIRANTE sabe que assim vão continuar durante mais algum tempo. Mas nada impede que alguns conteúdos luso-chineses possam vir a ser produzidos em Lisboa para depois serem emitidos em Samora Correia. Esse facto ainda não está confirmado. O director-geral da emissora, contactado pelo nosso jornal, recusou tecer comentários sobre o assunto.No último mês, recorde-se, foram inaugurados em Lisboa novos estúdios do grupo Iberia Universal, onde está inserido o empresário chinês que adquiriu, há dois anos, a maioria do capital da Íris. Recorde-se que o Porto Alto, em Samora Correia, é um local com uma grande comunidade chinesa e onde estão a ser investidos perto de 20 milhões de euros num mega-espaço comercial. Muitos ouvintes da terra lamentaram o rumor da eventual deslocalização da emissora samorense. A Íris sempre foi vista pela população como uma “filha da terra” e uma alternativa complementar a O MIRANTE no que toca à oferta de informação local e regional, oferecendo o que os jornais impressos nunca poderão dar: som. É também a única a ter três jornalistas a tempo inteiro na redacção. “Gostamos muito de O MIRANTE mas a rádio é diferente de um jornal, há sempre gente a falar do outro lado. Era a rádio da nossa terra e vou sentir muita pena se forem para fora, deixa-me triste, eram pessoas que já nos habituávamos a ver por aqui”, lamenta Odete Cruz, comerciante da cidade que tem loja perto dos estúdios daquela rádio.Para João Casimiro, as pessoas de Samora Correia são as culpadas por terem deixado a rádio chegar onde chegou e deixá-la partir para mãos de investidores estrangeiros. “Estes projectos não vivem sem publicidade e isso abriu a porta aos chineses, como aconteceu em Vila Franca com os brasileiros. Esta gente não apoia as rádios nem os jornais da nossa terra e depois queixam-se de ficarem sem nada”, lamenta.Fundada a 1 de Dezembro de 1985 por um grupo de samorenses, ainda no tempo das rádios piratas, a Íris passou por diversas fases até ter sido adquirida maioritariamente por um empresário chinês. A Ibéria Universal, um grupo fundado em Setembro de 2013 e com sede na Avenida Infante Dom Henrique, em Lisboa, apresenta-se na rede social Facebook como sendo um grupo que pretende tornar-se um veículo “muito importante” na área da comunicação social entre a China e os países oficiais de língua portuguesa. Além da Íris diz-se dona do jornal “PuHua”, “China Times”, “Fanzine” e da plataforma de TV “Charming China”, com mais de 70 canais e 200 mil espectadores diários.Rádios de Vila Franca de Xira são sombra do passadoA cidade de Vila Franca de Xira foi, durante os anos 80 e 90, uma terra cheia de vitalidade radiofónica, com o surgimento de várias rádios locais no tempo das rádios piratas, entre elas a Rádio Lezíria, Rádio Xira, Rádio Ateneu e a Rádio Clube Lezíria. A maioria definhou ao ponto de ser comprada a preços de saldo por grupos económicos ligados a igrejas evangélicas e cultos brasileiros e a maioria das emissões vem de fora. A Rádio Lezíria foi comprada pelos brasileiros da VidaFM, propriedade de uma família que detém as estações brasileiras “Feliz FM”, e transformou-se numa rádio evangélica que emite missas e música gospel e não dá informação local.A outra emissora ainda em funcionamento na cidade, a Ultra FM, ex-Ateneu, tem uma programação mais variada mas também com forte tónica na vertente religiosa. No seu site oficial lê-se que é detida por uma sociedade por quotas de nome “Paivimo Unipessoal” em que o sócio que detém a totalidade do capital é a Associação Remar Portuguesa - Associação de Reabilitação de Marginais, com sede na Quinta da Bela Vista, em Canelas. Ambas funcionam, durante várias horas, em “auto-operado”, uma modalidade em que os conteúdos sonoros são inseridos num computador e é este que automaticamente faz a gestão da emissão, sem precisar de uma pessoa à frente do microfone.
Rádio de Samora Correia comprada por chinês pode estar a caminho de Lisboa

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