
Alverca precisa de um choque cultural
Presidente da Associação ADN quer mexer com a cidade mas critica o poder e a população
Luís Carvalho, presidente da Associação ADN, em Alverca, defende que a cultura da cidade privilegia a vertente tradicional e esquece a parte criativa, alertando para a falta de iniciativas. Organização reclama por uma sede para poder cumprir o objectivo de “juntar pessoas e potenciar o sentido de comunidade”.
A ideia de que Alverca é uma cidade dormitório está a começar a ser contrariada pela Associação Cultural ADN, Acções e Dinâmicas com Nexo, embora o presidente da instituição, Luís Carvalho, reconheça que o caminho é longo. Em conversa com O MIRANTE, o líder da organização, presente na cidade há cinco anos, mas com dez de vida, deixa uma crítica aos poderes instalados e à população em geral. “O que faz falta a Alverca é a participação das pessoas. Estão demasiado acomodadas. Durante muito tempo não houve nada feito nas ruas para chamar as pessoas, que preferem ir para Lisboa, por falta de oferta. Alverca tem 30 mil pessoas e poucas se vislumbram. Precisa de um choque cultural e rápido. Tem de haver uma mudança de mentalidades, das pessoas e de quem manda”, acentua Luís Carvalho.Nascido em Alverca há 41 anos, preside aos destinos desta associação que tem uma abordagem diferente ao movimento cultural no concelho. A associação tem como objectivo “juntar pessoas e ter sentido de comunidade, o que não existe”. A organização nasceu há 10 anos, esteve em Sines e sediou-se em Alverca há cinco. “Nasceu do descontentamento de um professor, um animador e uma educadora social, insatisfeitos pelo rumo que a cultura estava a tomar”, explica o dirigente.O objectivo da ADN é a criação de iniciativas lúdicas, pedagógicas e culturais, para “colmatar uma falta enorme na freguesia de Alverca, onde há um decréscimo de iniciativas comunitárias”. Identificando estas lacunas, mas reconhecendo que a cidade tem amplas iniciativas apenas na vertente da cultura tradicional, a ADN surge para dar visibilidade aos trabalhos dos jovens criadores em áreas como teatro, música, mercados de trocas de brinquedos para crianças mas, sobretudo, organizações que promovam o espírito de comunidade. “O peddy paper anual na noite das Bruxas, a 31 de Outubro, é o nosso evento de maior sucesso. Conseguimos trazer uma média de 100 pessoas de fora de Alverca, além da muita adesão da população local, que tem vindo a crescer, sem qualquer limite etário”, salienta o presidente da ADN.A organização conta com os apoios pontuais da câmara municipal, junta de freguesia e da Casa da Juventude mas o maior obstáculo ao crescimento é a falta de uma sede que permita dar o salto para voos maiores. “Não temos sede nem local de trabalho fixo, nem há perspectivas de o termos. Sondámos a câmara e até gostávamos de recuperar uma casa devoluta, para criar um espaço para as pessoas estarem, que não seja só um café para tirar bicas e imperiais. Ainda não desistimos”, refere Luís Carvalho.Quem quer ver cinema tem de ir para LisboaPara o presidente “estamos num concelho onde quem quer ir ao cinema tem de ir ao Parque das Nações. Alverca, Vila Franca e Carregado não têm um cinema”. O dirigente associativo revela que está a tentar levar para o concelho um grupo de realizadores novos, que estão a tentar fazer curtas-metragens. “Quem sabe se não pode nascer um micro festival”, diz. Com um orçamento anual em torno dos 30 mil euros, a associação presta alguns serviços particulares para encontrar formas de financiamento. Um deles é bem conhecido. “Trabalhamos com algumas marcas como a “Aldeia da Roupa Branca”, que são umas bonecas conhecidas a nível nacional. Somos nós que as fazemos. Temos alguns subsídios da câmara e da junta mas, por vezes, o apoio importante é logístico. Este evento financia-nos muitos meses de actividade, até porque os nossos membros não pagam quota”, concluiu. O próximo evento da ADN terá lugar já em Setembro, será um quizz pela cidade, mas em preparação está já o peddy paper deste ano.

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