uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Um festival feito na aldeia pelos habitantes

Um festival feito na aldeia pelos habitantes

Festival Bons Sons em Cem Soldos serve para melhorar a qualidade de vida da aldeia
José Augusto Mourão com 93 anos é o homem mais velho da aldeia de Cem Soldos, concelho de Tomar. Sempre ajudou a montar o Festival Bons Sons, como a maioria dos seus conterrâneos, agora a saúde já não permite que José saia de casa, por isso, O MIRANTE entrevistou-o na sua habitação que fica a 500 metros de um dos palcos. Durante a conversa ouviam-se bem os graves da música vinda do palco “A música portuguesa a gostar dela própria”. A vibração do som não o incomoda. José está incomodado é por não poder ir “assistir aos concertos”. José está na sua sala de estar e tem a companhia dos dois filhos e do genro. Vai dizendo que a “organização sabe muito bem o que faz e conseguiu que o festival ganhasse esta dimensão. Quem vem ao festival é tudo malta porreira, alguns são esquisitos mas muito respeitadores e simpáticos”.Deixamos José Augusto na cadeira da sua sala frente à televisão, com o volume baixo, e seguimos com o seu genro, Manuel Godinho, 59 anos, pelas ruas da aldeia, que começa a encher-se de festivaleiros. Manuel Godinho, sargento reformado da Marinha, “nascido e criado na aldeia de Cem Soldos”, como gosta de dizer, colabora activamente na montagem do evento. “Faço tudo o que for preciso, daqui a pouco estou de serviço a tirar imperiais na tasquinha”. A realização do festival pretende estimular a economia local e as receitas servem para melhorar a qualidade de vida da população de Cem Soldos, com a realização de obras para uso da comunidade.Manuel Godinho já foi presidente do Sport Club Operário de Cem Soldos, associação que organiza o festival, e sente um enorme orgulho quando fala do “seu festival”. “Isto só é possível em Cem Soldos. A cidade de Tomar já quis levar o nosso evento mas nem pensem. Houve também uma marca que quis comprar o nome, mas nós não deixamos, é único no país. A juventude que vem é simpática e nós gostamos de os ter cá. No primeiro ano havia algum receio, era um que tinha uma trança, outro meio trança, outra que tinha uma mini-saia em que se via tudo, foi o primeiro impacto. Hoje é completamente normal e nunca nestes nove anos houve qualquer briga ou desacato”.Durante a conversa sente-se um aroma no ar. “São uns charritos que a malta fuma, não me incomoda nada, andei pelo mundo inteiro e já vi muita coisa”, diz o ex-marinheiro que já visitou mais de 30 países, sempre em serviço. Quando perguntamos se já experimentou um charro, Godinho diz que não, mas se o jornalista quisesse fumar, “podia estar à vontade”. A comunidade trabalha arduamente durante o ano inteiro para que o festival aconteça. Preparam-se equipas, distribuem-se tarefas, faz-se a programação, tratam-se das licenças. Alguns habitantes emprestam terrenos para os parques de estacionamento e campismo. Todos os postos de trabalho são ocupados por habitantes da aldeia, nas entradas, tasquinhas, na venda de senhas. Trinta e sete mil foi o total de espectadores, nos quatro dias do festival Bons Sons, que terminou no domingo, 16 de Agosto, na aldeia de Cem Soldos, Tomar.
Um festival feito na aldeia pelos habitantes

Mais Notícias

    A carregar...