
Antigos músicos da Gualdim Pais voltaram a tocar juntos 20 anos depois
Concerto no sábado envolveu também jovens que integram a banda actualmente
Banda filarmónica de Tomar reuniu antigos instrumentistas que há duas décadas conquistaram o primeiro prémio num programa da RTP. Encontro serviu para matarem saudades da música e dos palcos.
O antigos músicos da Banda da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais recuaram 20 anos no tempo para recordar o concerto que lhes deu o 1º prémio no programa da RTP “À Volta do Coreto”. Os ensaios começaram no início de Setembro. Os instrumentos foram emprestados pela colectividade para que pudessem também ensaiar em casa. O concerto contou com antigos músicos e também com os mais jovens que integram a banda actualmente.Carla Pereira, 42 anos, tocava clarinete e saiu da banda há 11 anos, quando a sua filha nasceu. “Pensava que já não conseguia tocar nada depois destes anos todos sem pegar no instrumento, mas afinal a coisas saíram naturalmente”, diz. A farmacêutica já não via alguns dos companheiros da banda há muitos anos e confessa que “foi muito bom voltar a encontrá-los”. Tem saudades dos bons tempos que passou e tem o sonho de “voltar para banda”. As principais diferenças que Luís Mourão, 42 anos, nota de há vinte anos para cá, é a forma como se ensina música. “O maestro deles é mais jovem e deixa-os mais à vontade, não há aquela formalidade que havia na nossa altura. Basta dizer que o nosso maestro era um tenente-coronel do Exercito, agora parece que estamos entre amigos, divertimo-nos e trabalhamos ao mesmo tempo”, explica o antigo trompetista. Outra das diferenças notadas por Luís são os intervalos nos ensaios. “Há vinte anos conversávamos, os miúdos hoje não falam, simplesmente agarram-se ao telemóvel. Nós, os mais velhos, tentámos trazê-los para a conversa e eles agora até já nos acham piada”. Não há muitos nervos antes do concerto até porque Luís Mourão diz que pisa um palco todos os dias que é a sala de aulas e tem espectadores que são os seus alunos. Também o vereador da Câmara de Tomar Hugo Cristóvão participou no programa da RTP que deu o 1º prémio à Sociedade Filarmónica Gualdim Pais. Na altura, com 17 anos, tocava trombone e conta que se foi apercebendo ao longo das provas que a vitória estava garantida. “Teve um sabor especial porque as outras bandas contratavam músicos para algumas ocasiões mais especiais, enquanto que na Gualdim Pais todos os músicos faziam parte da banda”, conta o antigo elemento. Foi bom recordar algumas das peripécias com os antigos companheiros, “as praxes que fazíamos aos mais novos ou as idas a Espanha onde se comia muito mal”. Na banda da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, ao contrário de outras, ninguém era remunerado, mas os músicos exigiam ser bem tratados e a alimentação tinha que ser de qualidade. Hugo Cristóvão conta que quando atravessavam a fronteira paravam “no primeiro café para comer como deve ser”.

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