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“Falta imensa actividade cultural em Azambuja”

“Falta imensa actividade cultural em Azambuja”

Artista que imortalizou no azulejo o autor da letra do fado “Cavalo Ruço” diz que devia haver mais eventos na vila

Anabela Moreira aceitou, com algum receio, a responsabilidade de idealizar e pintar o painel de azulejos gigante para homenagear Paulo Vidal, autor da letra do conhecido fado “Cavalo Ruço”. A obra está agora na principal praça de Azambuja, sua terra natal.

O fado do Cavalo Ruço foi o mote para a obra que homenageia Paulo Vidal. O painel de azulejos agora colocado na principal praça de Azambuja serve de homenagem a um dos cidadãos mais emblemáticos da terra e, para que a homenagem fosse plena, o painel teria de ser pintado por uma artista da terra. Ela é Anabela Moreira, azambujense de gema e com muito orgulho de ser ribatejana. O MIRANTE foi conhecê-la e explicar como se chegou à obra que agora engalana o Largo Cónego João Canilho, em frente à igreja. A obra, encomendada pela junta de freguesia para inaugurar a festa em honra de Nossa Senhora da Assunção, chegou a meter medo à autora. “Foi um desafio, porque nunca tinha feito uma obra com esta dimensão e, inicialmente, até pensei não aceitar. Mas depois, em conversa com uma pessoa amiga, percebi que tinha de avançar”, confessa Anabela, pelo meio de um sorriso nervoso, mirando a sua obra.Em cerca de dois meses a obra foi ficando pronta, mas por trás teve muito tempo de estudos, desenho e redesenho até à versão final. E se fosse hoje, provavelmente já não seria igual. Não teria, porventura, os mesmos tons de azul e branco, a bordadura seria diferente, o cavalo poderia até não ser tão ruço. “Deu-me um prazer especial, porque nunca pensei ser capaz. Foi um desafio pessoal muito grande. Ainda para mais para uma ribatejana como eu, criou-me uma pressão enorme”, confessa.Anabela, 45 anos, nasceu e foi criada em Azambuja, mas a vida levou-a muitos anos para a Serra da Estrela onde trabalhou na sua área de formação, design têxtil. No momento em que resolveu regressar às origens, resolveu dedicar-se ao que hoje é a sua profissão: o artesanato. E nada melhor do que este projecto para a convencer de que fez a opção correcta. “É um fado em que me revejo e tinha de fazer algo que o representasse. Está ali muito de mim. Foi totalmente uma obra sentimental”, confessa.Na forja está já uma nova obra, a decoração de uma fonte na rua dos Campinos, algo que já lhe ocupa o tempo. Anabela confessa que tem um prazer imenso em produzir arte para a sua terra. “Azambuja já precisava de uma coisa assim, emblemática. Espero que não seja vandalizado, mas acredito que não, porque tem a ver com a tradição. Temos de arriscar, de fazer, não podemos baixar as mãos. Devia haver mais coisas feitas, por exemplo no muro que está vazio em frente à praça do município”, avançou.Há 12 anos que Anabela se dedica a este ramo, afirma que se “consegue viver” da arte, mas ainda não encontrou vocação para passar o seu saber. “Comecei pelas artes decorativas, mas queria mais. Não me dediquei ainda a passar este conhecimento, porque tenho sempre muito que fazer”, explicou.No entanto, a artista não deixa de querer captar o interesse para a sua forma de expressão e apresenta críticas e sugestões. “Falta imensa actividade cultural em Azambuja. Devia haver eventos com mais consistência, com uma periodicidade mais fixa e próxima, não ser só a feira do artesanato na feira de Maio”, concluiu.
“Falta imensa actividade cultural em Azambuja”

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