Funcionários tipo robot podem muito bem ser trocados por robots a sério
Estou a escrever na terça-feira, 6 de Outubro. Esta manhã assisti a uma cena no comboio regional entre Entroncamento e Lisboa, que me indignou. O principal protagonista foi um revisor de semblante carrancudo a quem já tinha visto proceder de forma idêntica. O caso é simples e o revisor tinha razão, diga-se desde já. Um passageiro estava a viajar sem bilhete e tentou desculpar-se embora se tenha prontificado a pagar o bilhete ao revisor que para isso tem meios (uma máquina de emissão de bilhetes) uma vez que na maior parte das estações já não há bilheteiras. O homem acabou por ser obrigado a sair do comboio na estação de Riachos e não valeu de nada a disponibilidade para pagar bilhete. Ainda o ouvi dizer: “E agora o que é que eu faço. Fico aqui uma hora quando tenho coisas para fazer marcadas?”. O funcionário não disse nada e também não aceitou o reparo que lhe foi feito por um passageiro sobre a forma desumana com que tratara o viajante. Limitou-se a olhar para ele e perguntar. “Tem algum assunto em que lhe possa ser útil?”.Isto para mim não é profissionalismo por mais que me tentem convencer. Tratar todos os passageiros como suspeitos de crime de burla é incentivar todos os passageiros a encararem os revisores como robôs sem sentimentos. Para picar bilhetes não são necessários revisores. Nem sequer para passar bilhetes ou mesmo para impedir passageiros de viajar sem título de transporte. No Verão estive em França e viajei em comboios sem revisores. Se um revisor não serve para tentar resolver problemas mas apenas para fazer funções que as máquinas fazem, é mandar vir as máquinas. Acrescento que já vi inúmeros revisores com uma postura diametralmente oposta. E o passageiro a que me refiro nem sequer foi agressivo ou violento.Carlos Mendes Costa
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