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A guitarra portuguesa também é para jovens

A guitarra portuguesa também é para jovens

No Conservatório de Santarém são 23 os alunos que aprendem a tocar esse instrumento

Os alunos mais velhos já aprendem há sete anos e sonham fazer vida a tocar esse instrumento, apesar de reconhecerem que é algo que pode não lhes dar um futuro seguro.

Edição de 21.10.2015 | Cultura e Lazer
A guitarra portuguesa está na moda. É uma das conclusões a que se pode chegar depois de se saber que são 23 os jovens a aprender a tocar este instrumento, só no Conservatório de Música de Santarém. A maioria anda entre o 5º e o 7º ano e são por isso ainda crianças ou pré-adolescentes. Os mais velhos são João Lameiro e Hugo Martinho, já com 15 e 16 anos, que já vão no 7º ano de aprendizagem. Ambos frequentam o 11º ano, no curso de música do Conservatório, no regime articulado, que faz com que tenham aulas específicas naquela instituição e aulas de Português, Inglês, Filosofia e Educação Física numa escola de ensino geral. No ensino especializado, uma das disciplinas destina-se à aprendizagem de um instrumento específico e ambos não hesitaram na altura de escolher a guitarra portuguesa. “Fui influenciado pelo meu avô, que toca no grupo de Guitarra e Canto de Coimbra. Sempre gostei de o ver tocar. Ainda andei um mês em piano mas guitarra portuguesa era o que eu gostava”, conta Hugo Martinho. “Costumava ir a algumas noites de fado e o que mais gostava era das guitarradas e não tanto do fado cantado. Comecei a gostar e decidi aprender”, diz por sua vez João Lameiro.O balanço da frequência do curso é, para ambos, muito positivo: “Às vezes é puxado, mas isso até faz bem. Há disciplinas que carecem de mais estudo e atenção, como História da Música. Mas no geral faz-se bem e é agradável estar aqui. Eu passo bastante tempo aqui no Conservatório e gosto”, diz Hugo. Já João frisa a proximidade e cumplicidade com os professores: “Damo-nos todos bem com eles. Aqui, como as turmas são pequenas, criamos outro tipo de intimidade com os professores e eles dão-nos mais atenção”.A música dos The Beatles ao som da guitarra portuguesaApesar da juventude, ambos gostam muito de fado. Se Hugo ouve na rádio e em cassetes antigas do avô, João é rapaz para ir a noites de fados. Carlos Paredes é uma das suas referências e é o compositor e antigo guitarrista português que ouve no carro quando se trata de longas viagens. Mas o facto de gostarem de fado não os impede de tocarem numa banda, os Vórtice Project, em que algum do reportório é dedicado aos The Beatles. Na banda, Hugo toca bateria, João pandeireta, mas nem aí largam a guitarra portuguesa: “Sim, tocamos Beatles com guitarra portuguesa, com arranjos do nosso professor”. Ricardo Gama, professor de guitarra portuguesa do Conservatório, é, efectivamente, um dos membros dos Vórtice Project, banda que até já chegou a gravar um CD, mas que ainda não pôde ser lançado devido a problemas com os direitos de autor.Por enquanto, além da banda, Hugo e João concentram-se na escola. Assumem não ser excelentes alunos mas garantem que “isso não significa que não queiramos saber da escola”. A conciliação entre ensino especializado e ensino geral é que nem sempre é fácil, por causa dos diferentes métodos de estudo mas também dos horários. “Eu dou sempre mais atenção às disciplinas daqui do que às do liceu”, assume João Lameiro.Quanto ao futuro, ambos sonham em ser músicos profissionais de guitarra portuguesa, mas, como em muitas outras áreas, podem não ter um futuro seguro. “Há algum desemprego mas aqueles que são bons têm trabalho”, afirma Hugo, que, ainda assim, está a pensar tirar o curso de Direito, uma espécie de plano B. Já João, além de músico também gostava de ser professor de guitarra portuguesa.Até lá, dizem que ainda têm muito a aprender: “Ainda temos de evoluir muito em termos de som, de musicalidade”, diz João, com Hugo a acrescentar: “Temos de evoluir na parte técnica, na forma de tocar, mas isso vai com os anos”.O certo é que ambos ajudam a desmentir a ideia que tocar guitarra portuguesa é coisa para os mais velhos: “Isso não é nada assim. O que acontece é que como há cada vez menos pessoas a tocar, as pessoas que ficam, que resistem, são sempre as mais velhas e a malta acaba por associar guitarra portuguesa a pessoas mais velhas”, explica Hugo, com João a lembrar que existe uma nova geração de guitarristas.
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