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EES Rural

Edição de 21.10.2015 | Opinião
Depois de dois exemplos do Portugal bom, sobre os quais escrevi nas semanas anteriores, eis que me chega um terceiro que merece ser partilhado. Como académico talvez não me fique bem mas acredito, cada vez mais, na economia da partilha de informação útil, muito para além do conhecimento dos diplomas. Em Penela acontece empreendedorismo social como forma de dinamização dos territórios de baixa densidade. Foi sobre isto mesmo que se conversou numa tertúlia em que participo. Penela é apenas um bom exemplo de uma via excelente para as nossas terras.Como sempre, as boas ideias que se concretizam e criam riqueza têm alguém por detrás que muito faz para que assim seja. Há uns anos a gestora Fátima questionou a sua “normal” vida de banca e seguros. Como a resposta não foi boa partiu em busca do bem-estar e qualidade de vida. Teve coragem e mudou de vida, instalou-se em Penela e nesta terra de fartos recursos e pouca gente trabalha para dar valor aos recursos endógenos (recursos locais).A história conta-se em poucas palavras e acaba na valorização do que de melhor tem cada terra. Como contou a Fátima, a ação desenvolve-se à volta de um projeto de empreendedorismo social de base rural – EES Rural. Percebe-se que, embora os primeiros resultados tangíveis não sejam fáceis, muito trabalho já foi realizado e que a paixão/convicção e persistência da Fátima irão conduzir a bom porto. Depois de criada a marca DAQUI (saboreámos uns magníficos e inovadores biscoitos, confecionados na cozinha do excelente hotel local), que procura parcerias, agregar produtores, criar mercado e circuitos curtos de distribuição, o objetivo é implementar uma cooperativa.Sem dúvida que este é um bom contributo e um possível caminho para este tipo de territórios. No entanto, por muito competente que seja a Fátima, dificilmente um projeto deste tipo terá bons resultados se estiver sozinha. São necessários compromissos, sinergias de propósitos comuns e parcerias na certeza que o bem será comum e em prol de todos. O bom exemplo da parceria com o hotel, com a cedência da cozinha para a confeção dos biscoitos, tem de ser generalizado a todos os atores locais. Todos são poucos para a tão grande tarefa que é dar o justo valor ao local neste universo de globalização, sem alma e rosto, onde tudo parece contrariar esta boa verdade do valor dos recursos locais.Pelo brilho dos seus olhos acredito que a Fátima vai mesmo conseguir e que vamos ouvir falar do EES Rural de Penela como uma realidade a seguir.Carlos Cupeto

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