
Aposta de jovem de Coruche pelo golfe já dá frutos
As boas prestações de João Costa já chamaram a atenção do seleccionador nacional, que o convocou para um estágio no Jamor, onde estiveram os cinco melhores jogadores nacionais do seu escalão.
João Costa tem 15 anos e é natural de Coruche. A exemplo de muitos outros jovens começou por praticar futebol, no Coruchense, mas perdeu a paciência quando o treinador o passou a convocar para uma equipa secundária do escalão de infantis, em vez da equipa principal. Tinha um amigo que jogava golfe e foi com ele que começou a dar as primeiras tacadas. “Um dia o meu pai levou-me a um campo de golfe e eu gostei logo daquilo. Fiquei fascinado com o jogo”. E assim trocou de modalidade. Começou com 11 anos no Ribagolfe, em Samora Correia, e em Janeiro de 2013 tornou-se atleta do clube Quinta do Peru, de Azeitão, concelho de Setúbal. Quando começou não sabia praticamente nada. Hoje, quatro anos depois, já participou em 158 torneios e conta com várias vitórias (até já perdeu a conta), destacando-se as prestações nos torneios do projecto drive, iniciativa levada a cabo pela Federação Portuguesa de Golfe, com o objectivo de fomentar a prática da modalidade entre os jovens. “Ganhar um torneio é algo inexplicável. É o fruto do nosso trabalho, da nossa dedicação, do nosso esforço”, afirma. As boas prestações já chamaram a atenção do seleccionador nacional Nuno Campino, que o convocou para um estágio no Jamor, onde estiveram os cinco melhores jogadores nacionais do escalão de sub-16. “Não foi por acaso que fui convocado”, afirma, lembrando que tem evoluído muito e que isso tem a ver com a carga de treinos a que é sujeito (três dias por semana).Fundamental tem sido o apoio dos pais, a quem está agradecido. “Os meus pais dedicam grande parte do tempo deles a apoiar-me. Não é fácil participar em torneios de norte a sul do país sem o apoio deles”, recorda.Quatro anos depois de ter começado, João Costa já não olha para o golfe como um passatempo. É algo que leva muito a sério e diz mesmo que espera fazer futuro na modalidade e quem sabe ser mesmo profissional. “Mas em Portugal não se consegue viver só do golfe”, lamenta. O plano B é seguir uma carreira ligada à gestão de empresas. Para já, anda no 10º ano na Escola Secundária de Coruche e considera-se um aluno médio. O mais difícil é conciliar os estudos e o golfe. “É muito difícil porque passo em média 12 horas a treinar por semana. Os treinos e os torneios absorvem muito tempo”.O golfe em Coruche e na regiãoEm conversa com O MIRANTE, João Costa lamentou apenas o facto de não poder praticar golfe na sua terra. “Não há nenhum sítio em Coruche onde se possa jogar ou treinar golfe. É algo que eu acho mal porque, se houvesse, mais jovens podiam dedicar-se à prática da modalidade”, refere, revelando que há mais gente em Coruche a praticar golfe, mas ao nível do lazer.O golfe é um desporto que, no geral, não merece muita atenção por parte dos ribatejanos. O jovem jogador associa o facto à ideia, que considera errada, que o golfe é só para pessoas com posses financeiras. Ainda assim, diz que na região nem tudo é mau. “Existem, no distrito de Santarém, alguns clubes de golfe e alguns bem dinâmicos”. João Costa aponta os casos do Ribagolfe de Samora Correia, do clube de golfe de Santo Estêvão e, fora do distrito, mas na área de abrangência de O MIRANTE, do Xiragolfe (clube de golfe de Vila Franca de Xira).

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