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Barreira de pedras no Tejo já tem canal para passagem de peixes

Barreira de pedras no Tejo já tem canal para passagem de peixes

Rio foi atravessado em toda a sua largura com um novo dique junto da Central Termoeléctrica do Pego
Edição de 22.12.2015 | Sociedade
A muralha de pedra que foi implantada no rio Tejo na zona de Abrantes, no âmbito de uma empreitada de reabilitação do travessão existente no leito do rio, já tem um canal de circulação por onde podem passar peixes e pequenas embarcações, disse à Lusa fonte da Pegop, dona da obra, no final da passada semana.“A pedido da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) abrimos na quarta-feira (16 de Dezembro) um canal para permitir a passagem de peixe e ficou assim reposta a circulação montante/jusante no rio Tejo, quer de peixe, quer de água”, garantiu o director de recursos humanos da Central Termoeléctrica do Pego - Pegop, tendo observado, no entanto, que a solução “é provisória” e que a mesma não serve as necessidades da Central.Na próxima terça-feira (22 de Dezembro, data de fecho desta edição), “vamos ter uma reunião com responsáveis da APA para tentar encontrar uma solução técnica que satisfaça todas as partes”, adiantou José Vieira, tendo observado que uma das soluções pode passar por “voltar a fechar o canal agora aberto e rebaixar a zona das antigas escadas de passagem de peixe, para um nível mais consentâneo com o volume de água que hoje passa no Tejo”.Em causa está a reparação do denominado travessão (estrutura que atravessa o Tejo), junto à Central Termoeléctrica do Pego, em Abrantes, estrutura licenciada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e edificada há 25 anos com o objectivo de aumentar o nível da água no local e permitir a sua captação para a arrefecer o vapor proveniente das turbinas da Central.Câmara de Abrantes pede esclarecimentos à APA Entretanto, a Câmara de Abrantes decidiu pedir esclarecimentos à APA sobre a forma como esta tem acompanhado a obra de reabilitação do travessão existente no leito do Tejo, junto à central Termoeléctrica do Pego. A presidente Maria do Céu Albuquerque (PS) apresentou na última reunião do executivo uma proposta de deliberação, aprovada por unanimidade, solicitando informação à APA, visando “um cabal esclarecimento” sobre a legalidade da obra de reabilitação do travessão de pedra no rio Tejo realizada pela Pegop e sobre as medidas de acompanhamento que está a desenvolver para garantir o cumprimento da legalidade.O documento refere que as obras tiveram início no Verão de 2015 e que nos últimos dias têm sido objecto de contestação por parte de ambientalistas e autarcas. A Câmara de Abrantes já tinha solicitado esclarecimentos à empresa, que garantiu a conformidade legal da intervenção, “contrariando declarações públicas produzidas por responsáveis da APA, entidade com competências para a autorização e fiscalização de uma obra desta natureza”.Recorde-se que, há duas semanas, a Associação de Defesa do Ambiente - SOS Tejo denunciou que o rio Tejo havia sido “bloqueado em toda a sua largura” com um novo dique junto da Central Termoeléctrica do Pego, unindo esta localidade com a freguesia de Mouriscas, ambas em Abrantes, tendo manifestado a sua “revolta” pelo que considerou ser “uma nova machadada ambiental” no rio.O dique, composto por grandes blocos de pedra, une as duas margens sem que o volume de água no rio permitisse a circulação das espécies piscícolas, apresentando no topo um caminho de terra batida para circulação de viaturas em trabalho.A APA confirmou depois que a estrutura construída no Tejo pela central termoeléctrica Pegop impedia a progressão de peixes, tendo instruído a empresa para construir um canal que o viabilizasse, como medida cautelar. O director de recursos humanos da Pegop lembrou que a obra de reparação está “devidamente licenciada” pela APA, tendo feito notar que a abertura deste canal “não serve nem resolve os problemas da Pegop, que precisa de mais água”.“Os actuais caudais, muito reduzidos, é que provocaram este alarido, pelo que agora, e uma vez que não se prevê que o rio venha a ter muita água nos próximos meses, o que temos é de encontrar uma solução técnica que permita a passagem de água e de peixe e, simultaneamente, garanta um caudal suficiente para a captação de água”, defendeu José Vieira.
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