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Um anúncio de jornal trouxe-o até Rio Maior

Um anúncio de jornal trouxe-o até Rio Maior

Ricardo Tomás procurava uma casa com quintal para viver e montar o seu ateliê de escultura. O destino levou-o até à aldeia de Ribeira de Santo André, onde cria as suas obras, sobretudo em pedra. Nascido em Lisboa, gosta da calma do mundo rural, embora por vezes tenha que ir matar saudades da agitação cultural da capital.

Edição de 22.12.2015 | Sociedade
Um anúncio de jornal pode mudar a vida de um homem e Ricardo Tomás é prova disso. Há 18 anos procurava uma casa com quintal para montar a sua oficina de escultura e um pequeno rectângulo numa página de um diário nacional espoletou todo o processo que o trouxe de Lisboa até Ribeira de Santo André, uma pequena aldeia nos arredores de Rio Maior. Comprou a propriedade anunciada, dedicou-se a trabalhar a pedra e o ferro, por ali ficou e ali se sente bem.Ricardo Tomás, 47 anos, natural de Lisboa, não conhecia Rio Maior mas hoje diz que se sente em casa. “Gosto disto, é calmo, embora um pouco parado a nível cultural”. O antigo serralheiro civil na Carris deixou a empresa de transportes públicos da capital para se dedicar às artes plásticas e a aposta não tem corrido mal. Trabalha sobretudo mármore da zona de Estremoz, embora também modele ferro e desenhe. O corpo feminino é a sua grande fonte de inspiração, como é facilmente constatável em muitas das peças em exibição na exposição-venda que ocupa nesta quadra festiva uma loja devoluta na Rua Serpa Pinto, no centro de Rio Maior.Ao todo, foram ocupadas 22 lojas da zona central da cidade que estavam vagas e onde hoje se exibem desde peças de arte a antiguidades, passando por livros, discos, artesanato e outros artigos que podem constituir uma boa prenda de Natal. Ricardo Tomás é o único artista plástico aderente à iniciativa. Reconhece que o mercado da arte, actualmente, passa muito pela Internet, embora participe em feiras de artes plásticas e exponha com regularidade em galerias. Almeirim, Santarém e Rio Maior foram alguns dos locais na região onde mostrou o seu trabalho. “Vivo para mostrar aquilo que faço”, diz. De vez em quando vai “matar saudades” a Lisboa, ver exposições e assistir a inaugurações, porque nesse meio, como noutros, “quem não aparece esquece”. Viver exclusivamente da arte em Portugal é sinónimo de dificuldade para a esmagadora maioria dos criadores e Ricardo Tomás não é excepção, embora não enverede pela lamúria quando fala disso. Reconhece que a sua actividade “dá para sobreviver”, apesar dos preços terem baixado muito nos últimos anos devido à austeridade que deixou menos dinheiro nos bolsos dos portugueses para gastar. “Tenho peças desde os 25 euros, porque acho que a arte de deve ser para todos e não só para quem tem dinheiro”, afirma.
Um anúncio de jornal trouxe-o até Rio Maior

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