Fábrica da Unicer em Santarém funciona até 15 de Fevereiro
Encerramento estava previsto para 31 de Janeiro mas houve mudança de planos mais uma vez
Alguns dos 70 trabalhadores da fábrica da Unicer em Santarém, cujo encerramento foi anunciado para 31 de Janeiro, vão continuar a trabalhar pelo menos até 15 de Fevereiro, por se manter ainda uma linha em funcionamento. Fonte sindical disse à Lusa que a unidade, tinha ainda duas linhas de produção em funcionamento na semana passada.Questionada pela Lusa sobre esta questão e sobre quantos funcionários vão ser recolocados, quantos serão integrados na unidade que vai assegurar a produção de refrigerantes e quantos ficam em situação de desemprego, a Unicer respondeu que, sobre este processo, “não tem mais informação a acrescentar além da que foi anunciada publicamente pela empresa”.No dia 7 de Janeiro, a Unicer anunciou, em comunicado, que no âmbito do processo de reajustamento da sua estrutura, decidiu antecipar para 31 de Janeiro o encerramento da fábrica de refrigerantes em Santarém, inicialmente prevista para o final de Abril.A fonte sindical adiantou que, dos 10 trabalhadores convidados a manterem-se dentro da empresa, dois, “mais novos e com possibilidade de levarem a família”, aceitaram ir para a unidade de Leça do Balio, situação que, noutros casos, se revela mais difícil, sobretudo por estarem a pagar casa na zona de Santarém e ser incomportável suportarem os custos de duas residências, nomeadamente se ficarem com horários fixos, sem possibilidade de receberem subsídios por trabalho por turnos ou laboração contínua.No caso da Font Salem, que passará a produzir as marcas Frisumo, Frutea e Frutis, detidas pela Unicer, dois dos 70 trabalhadores que vão ser dispensados enviaram currículo e estão à espera de entrevista, mas não há qualquer garantia de que esta unidade venha a integrar 25 funcionários como afirmou a Unicer quando anunciou o encerramento, disse a fonte. Por outro lado, as condições de trabalho e salariais “não são boas” quando comparadas com as que usufruíam na Unicer, afirmou.A alguns dos funcionários foi pedido que se mantenham até 29 de Fevereiro, disse, adiantando que muitos já assinaram o acordo de rescisão, que, além da indemnização e do prémio, inclui o pagamento dos salários até 30 de Abril.Pedro Alexandre, a trabalhar na produção da antiga fábrica da Rical há 19 anos, foi o primeiro a sair, no dia 15 de Janeiro, lamentando deixar o que “era e continua a ser uma grande empresa, boa para os trabalhadores”. “Até como despedem são impecáveis. Têm gente boa a fazer esse trabalho”, disse à Lusa, confessando ser “doloroso” ver a fábrica fechar.A fonte sindical reconhece o tratamento diferente do que é normal, já que os trabalhadores eram bem remunerados e receberam indemnizações três vezes superiores ao que seria exigido por lei.A fábrica de refrigerantes é a segunda unidade a ser encerrada pela Unicer em Santarém, tendo a cervejeira, na altura com 133 trabalhadores, fechado em Março de 2013.Unicer devolveu perto de um milhão de euros de apoios por encerramento de fábrica A Unicer regularizou todas as questões contratuais relativas a fundos recebidos para a fábrica de refrigerantes de Santarém que se encontra em processo de encerramento, tendo devolvido perto de um milhão de euros, disse à Lusa fonte da AICEP.Questionada pela Lusa sobre a situação dos apoios recebidos pela Unicer para investimentos numa unidade que agora vai encerrar, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) respondeu que actuou “imediatamente”, em articulação com a empresa, sobre as consequências contratuais do encerramento de Santarém, anunciado no início de Outubro, tendo o processo ficado resolvido até ao final do ano de 2015.A situação actual está “regularizada em termos contratuais”, afirma a AICEP, acrescentando que todo o processo decorreu em “total coordenação” com o gabinete do secretário de Estado da Internacionalização. Segundo a mesma fonte, a Unicer “já devolveu o incentivo pago sobre equipamentos instalados em Santarém” e “liquidou os respectivos juros a 31 de Dezembro de 2015”.A Lusa questionou a Unicer sobre os valores devolvidos relativos à fábrica de Santarém, mas a empresa respondeu não ter “mais informação a acrescentar além da que foi anunciada publicamente pela empresa”. Em entrevista dada no início do mês ao Dinheiro Vivo, o presidente executivo da Unicer, Rui Ferreira, afirmou que a situação foi “integralmente regularizada” com a devolução de uma verba inferior a um milhão de euros - 602.000 euros de incentivos pagos para equipamentos instalados em Santarém e que foram considerados não elegíveis mais juros até 31 de Dezembro de 2015.Questionado pela Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Santarém, Ricardo Gonçalves, que levantou publicamente a questão dos apoios comunitários recebidos para a fábrica cujo encerramento a Unicer anunciou no início de Outubro de 2015, declarou-se “surpreendido” por conhecer a resposta às questões que colocou pela comunicação social.O autarca disse à Lusa que tem vindo a pedir esclarecimentos sobre esta situação, diligências que incluíram um pedido de reunião com o novo ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, sem que tenha obtido qualquer esclarecimento até ao momento.Também os deputados dos vários partidos eleitos pelo distrito de Santarém que entregaram perguntas no parlamento sobre os apoios recebidos pela Unicer não obtiveram ainda qualquer esclarecimento.
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