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Falta de limpeza dos terrenos ajudou à propagação do fogo na Glória

Falta de limpeza dos terrenos ajudou à propagação do fogo na Glória

Presidente da Câmara de Salvaterra de Magos pediu relatório do incêndio à Autoridade Nacional de Protecção Civil. O fogo consumiu 700 hectares e envolveu 344 operacionais.

Edição de 01.09.2016 | Sociedade

A falta de limpeza dos terrenos na envolvente dos aglomerados urbanos foi um dos principais factores que originou um incêndio de grandes dimensões na Glória do Ribatejo, concelho de Salvaterra de Magos, no dia 13 de Agosto. A conclusão é do Comandante Operacional Distrital (COD) da Autoridade Nacional da Protecção Civil, Mário Silvestre, em resposta a um conjunto de questões levantadas pelo presidente da Câmara de Salvaterra de Magos, Hélder Esménio.
Segundo o COD o incêndio teve início às 16h04 do dia 13 de Agosto, sábado, junto à estrada das Sesmarias. A temperatura na localidade atingiu os 39 graus centígrados, o vento soprava a 22 km/h com rajadas de aproximadamente 50 km/h e a humidade relativa situava-se nos 10 por cento.
“O incêndio iniciou a menos de 500 metros das habitações, estaleiros e outras infraestruturas. A velocidade e a direcção do vento rapidamente conduziram o incêndio para as habitações e para outras infraestruturas já mencionadas. A lei obriga a que a limpeza dos terrenos na envolvente de aglomerados urbanos seja feita numa faixa de 100 metros e nas habitações isoladas numa faixa de 50 metros. Se esta obrigatoriedade legal tivesse sido cumprida os meios de combate inicialmente despachados para o local não teriam que estabelecer como prioridade a defesa de todas as habitações”, refere o Comandante Operacional Distrital no relatório enviado ao presidente da Câmara de Salvaterra de Magos.
Mário Silvestre continua o relatório explicando que o facto dos terrenos não estarem limpos obrigou a que a prioridade do combate fosse a defesa das pessoas e dos bens, o que causou uma “grande dispersão” inicial nos meios de combate. “A primeira hora do combate ao incêndio foi dedicada exclusivamente à protecção da povoação da Glória do Ribatejo. A zona em causa estava coberta de combustíveis finos - erva alta e pasto - tipologia de combustíveis que originam velocidade de propagação extremamente elevadas e muitas projecções. O incêndio avançou por “salto”, registando velocidades de propagação superiores a 2,5 km/h”, sublinhou o comandante.
O comandante da ANPC considera que a protecção civil municipal respondeu “sempre e de forma muito positiva” a todas as solicitações do combate. “O apoio logístico às forças de combate correu de forma impecável, e todos os meios solicitados, desde as máquinas de rastos a outro tipo de maquinaria foi prontamente colocado à disposição”, realçou. O fogo consumiu 700 hectares e envolveu 344 operacionais e 113 meios.
Este relatório do Comandante Operacional Distrital da ANPC surge na sequência do envio de várias perguntas por parte do presidente da Câmara de Salvaterra, Hélder Esménio (PS), que não gostou das críticas feitas ao combate ao incêndio da Glória do Ribatejo. Esta situação originou que o funcionário da câmara municipal, responsável da Protecção Civil Municipal, João Gomes, pedisse a sua demissão dessas funções. João Gomes não gostou de, apesar de estar de férias, não ter sido informado do fogo que estava a decorrer na sua localidade. Hélder Esménio não aceitou o pedido de Gomes e acusou-o de estar a fugir às responsabilidades.

CDU lamenta e questiona

A CDU de Salvaterra de Magos lamenta a ocorrência do incêndio de Glória do Ribatejo e, através de um comunicado, pede esclarecimentos ao presidente da câmara municipal sobre quais as razões que levaram à decisão do funcionário da autarquia, João Gomes, responsável pela Protecção Civil Municipal, a pedir para deixar de exercer essas funções.
A comissão coordenadora concelhia da CDU levanta uma série de questões que pretende ver esclarecidas, nomeadamente: “Por que motivo as bocas-de-incêndio na Rua do Cocharro não funcionaram? Por que razão as viaturas dos bombeiros tiveram que se ir abastecer com água ao Granho? Quem coordenou a Protecção Civil Municipal no combate ao incêndio? Qual a intervenção do presidente do município, Hélder Esménio, no combate ao fogo?”.

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