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O presidente que do pouco fez muito em Coruche
Carlos Gomes foi condecorado com a medalha de mérito municipal no dia 25 de Abril

O presidente que do pouco fez muito em Coruche

Carlos Alberto Gomes foi o primeiro presidente eleito da Câmara de Coruche, em 1976. Encontrou uma realidade que nada tem a ver com a do Portugal dos fundos europeus. Estava quase tudo por fazer a nível de infraestruturas e os meios eram escassos. Deitou mãos à obra e parte dela perdura até hoje.

Edição de 03.05.2017 | Sociedade

Uma carroça puxada por uma mula para recolher o lixo, crianças a estudar à luz do petróleo, casas sem água, ruas sem esgotos, terras sem cemitérios. Foi assim que o primeiro presidente eleito da Câmara de Coruche, Carlos Alberto Gomes, encontrou o concelho em 1976, saía o país de uma ditadura de quase meio século. O autarca arregaçou as mangas e deu o que tinha e o que não tinha para mudar o estado das coisas e fazer obra que perdura até hoje.
Carlos Alberto Gomes admite que foram cerca de nove anos de luta com tudo e com todos. “Se antes só 17% da população beneficiava das infraestrutras básicas, e isso correspondia a Coruche, ao Couço, a Erra e a Lamarosa que já eram vilas consistentes, quando saí do poder seria mais de 60% da população a beneficiar dessas condições”, refere, acrescentando que “essa era, de facto, a nossa prioridade”.
Electricidade, água, esgotos, estradas, centros culturais, finanças, tribunais, escolas, até mesmo cemitérios, nada foi esquecido no seu mandato. “As pessoas passaram a ter água, a ter luz, passaram a ter uma estrada com acesso ou passaram a ter um cemitério para colocar os seus mortos, Tudo deu-me gosto fazer, todos os dias. Era um dia-a-dia que era um corrupio mas com muita alegria”, confessa.
Naquela altura, conta Carlos Gomes, “o edifício da câmara municipal era apenas um quarto daquilo que é agora. Havia poucos quadros técnicos e os equipamentos eram escassos. Já o dinheiro nem vê-lo”. Se em 1976 eram cerca de 20 os trabalhadores municipais, em 1985, no final do seu terceiro mandato, eram quase 400. Mas não foram só os recursos que cresceram, também as freguesisas aumentaram. De três freguesias que encontrou, Couço, Lamarosa e Coruche, o concelho passou a ter mais cinco - Branca, Santana do Mato, Fajarda, Biscainho e Erra.
Durante os seus mandatos foram muitos os acontecimentos que marcaram Carlos Gomes. A visita do Presidente da República, Ramalho Eanes, durante as comemorações do 800.º aniversário do Foral de Coruche (1182), em 6 de Maio de 1982, e as visitas de outros presidentes, nomeadamente de Cabo Verde, Moçambique, Angola, foram momentos que não esquece.
Olhando para o futuro, o primeiro presidente eleito da Câmara de Coruche acredita que vai ser risonho: “Coruche está em condições para avançar e ter mais indústrias e mais emprego”.

Carreira profissional passou por África
Carlos Alberto Gomes, 70 anos, viúvo, natural de Coruche e a residir em Oeiras, estudou em Coruche e na Escola de Regentes Agrícolas de Santarém. Foi para Angola estagiar e por lá ficou a trabalhar como técnico na Comissão Reguladora do Comércio de Arroz, um dos organismos que foi extinto e entregue ao Instituto dos Cereais em 1972. Entretanto, fez o serviço militar em Cabinda, Angola, como alferes da Administração Militar durante quase quatro anos.
Em 1971 voltou para Portugal e foi trabalhar para o Instituto dos Cereais. Após o 25 de Abril de 1974 começou a ligar-se à política e decidiu candidatar-se às primeiras eleições livres autárquicas, a 12 de Dezembro de 1976, pela FEPU (Frente Eleitoral Povo Unido), coligação liderada pelo PCP (Partido Comunista Português). Esteve no executivo municipal de Coruche até 1985, ano que decidiu sair por razões pessoais. Desde então, trabalhou como consultor de uma empresa em Angola e foi assessor do governador de uma das províncias angolanas e assessor de um ministro de Cabo Verde.

Homenagem dedicada à falecida mulher

Depois da sua condecoração pelo município nas comemorações do 25 de Abril, em Coruche, Carlos Alberto Gomes confidenciou que esta homenagem vai para a sua falecida esposa. Acompanhou-me sempre e dedicou-se totalmente aos meus dois filhos, especialmente ao mais novo que nasceu na altura em que iniciei funções como presidente da câmara”.

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