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Palpitações
Vitor Paulo Martins

Palpitações

Edição de 03.05.2018 | Especial Saúde

O coração como motor principal do nosso organismo, como relógio orientador e regulador das nossas atividades, encerra em si determinadas particularidades que nem sempre entendemos.
As palpitações traduzem uma anormal consciência do batimento do coração quando estamos em repouso. Normalmente não sentimos o batimento cardíaco. Mas podemos sentir os batimentos cardíacos em condições normais (stress, exercício físico intenso, emoções súbitas, sensação de dor intensa) sem que tal seja considerado anormal. No entanto se sentirmos acelerações, batimentos mais fortes ou irregulares ou ainda se essas palpitações se associam a cansaço, falta de ar, dor no peito, sensação de desmaio ou mesmo desmaio podemos estar na presença de uma arritmia.
A importância e a gravidade de uma arritmia depende do seu tipo, ou seja da sua classificação, podendo ir de situações benignas a eventos que podem ser fatais. A chamada morte súbita é quase sempre a tradução de uma arritmia maligna.
A simples palpação do pulso pode determinar se temos uma pulsação normal entre 60 e 100 batimentos por minuto, que terá ainda que ser regular e sempre com a mesma amplitude.
Se o pulso for irregular é sempre uma arritmia e nesse caso senão houver um diagnóstico prévio, deverá consultar um médico. A arritmia mais frequente que se apresenta com pulso irregular é a Fibrilhação Auricular. Esta situação não tratada, sobretudo no grupo etário após os 65 anos, poderá ser uma causa de acidente vascular cerebral (AVC).
A chamadas taquicardias (pulso acelerado superior a 100 por minuto) que poderá ser normal (durante prática de exercício físico, stress emocional) poderá estar relacionada com quadros de anemia, febre, desidratação, hipertiroidismo, hipoglicemias, consumo de drogas ilícitas, nicotina ou mesmo quadros psiquiátricos. A resolução destas situações poderá levar ao desaparecimento da taquicardia.
O enquadramento de uma disritmia determina o prognóstico ou a potencial gravidade associada. Se houver patologia cardíaca conhecida, história anterior de enfarte do miocárdio ou de insuficiência cardíaca deveremos ser mais rigorosos em obter um diagnóstico porque existe uma elevada possibilidade dessa arritmia ser grave.
Um simples eletrocardiograma (ECG) pode dar o diagnóstico. Mas estas situações são muitas vezes intermitentes, o que obriga à realização de registos eletrocardiográficos de 24-48 horas ou mesmo de 30 dias. Mesmo assim pode não ser suficiente para chegar a um diagnóstico. Pequenos aparelhos (detetores de eventos implantáveis), com o tamanho de 1 cm3 (mais pequeno que um pacemaker) são colocados em pacientes em suspeitamos que existe uma determinada arritmia que pode causar a morte ou um AVC incapacitante.
O tratamento das palpitações depende da sua causa. Este poderá passar pela resolução de um quadro de febre, correção de uma anemia, normalização de uma disfunção da glândula tiroideia, mas muitas vezes são necessários medicamentos antiarrítmicos e beta-bloqueadores. No entanto, hoje já substituímos muitos destes medicamentos por ablações desses focos elétricos anómalos, através de um cateterismo que elimina com uma elevada taxa de sucesso muitas destas arritmias.
Em casos de corações com função contráctil muito deprimida ou taquiarritmias graves que poderão conduzir a uma morte súbita, teremos que colocar com desfibrilhador implantável que deteta automaticamente essas arritmias e administra um choque que permite salvar uma vida. Deste modo é importante entender, perceber, classificar e tomar uma atitude na presença de palpitações.
Se for o seu caso recorra ao seu médico, preferencialmente um cardiologista, para que possa ser definida uma estratégia que lhe permita ter uma vida mais saudável e livre de imprevistos.
*Médico Cardiologista e Arritmologista. / Diretor Clínico da Clínica do Coração Santarém / www.clinicadocoracaosantarem.pt / Tel: 243 329107

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