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Lucas Santos é campeão do mundo e quer chegar aos Jogos Olímpicos
Lucas Santos quer entrar para a lista de ginastas que fizeram história em Portugal com uma medalha olímpica

Lucas Santos é campeão do mundo e quer chegar aos Jogos Olímpicos

Ginasta do Clube Trampolins de Salvaterra iniciou-se na modalidade aos 11 anos. Jovem natural de Benavente sonha fazer saltar para o pódio a bandeira de Portugal e ser campeão olímpico de trampolim. Aos 16 anos soma já vários títulos nacionais e internacionais. Em 2018 sagrou-se campeão mundial de duplo mini trampolim e vai integrar o Projecto Esperanças Olímpicas para 2024.

Edição de 22.01.2019 | Desporto

Concentrado no movimento de cada salto, é em cima de um trampolim que Lucas Santos, natural de Benavente, sonha entrar para a lista de ginastas que fizeram história em Portugal. Depois de conquistar durante quatro anos consecutivos o primeiro lugar em campeonatos distritais de trampolim e arrecadar sete medalhas em provas nacionais e internacionais, o ginasta de 16 anos sagrou-se campeão mundial de duplo-mini trampolim, no campeonato do mundo por idades que decorreu em São Petersburgo, na Rússia, em Novembro do ano passado. Segundo o clube, o ginasta tem grandes hipóteses de vir a integrar o Projecto Esperanças Olímpicas Paris 2024.
A “magia de cantar o hino de Portugal” no topo do pódio num campeonato do mundo foi “um momento marcante” na carreira do jovem ribatejano, mas falta cumprir-se o sonho: “Ser campeão olímpico de trampolim”. É com esse “objectivo na cabeça” que este ano o ginasta, que sobe para o escalão sénior, se vai dedicar em exclusivo ao trampolim, deixando de fora o duplo-mini trampolim. “Se quero chegar aos Jogos Olímpicos - que se realizam em Paris, no ano de 2024 - tenho de me focar no trampolim, porque o duplo-mini não entra na competição olímpica”, justifica.
Lucas Santos encontra-se a recuperar de uma lesão no joelho direito e está impedido de saltar, até “o menisco voltar ao sítio”. Diz ser exigente para consigo, “por vezes duro demais”, e quando a prova não corre como deseja fica o sentimento de “frustração, de quem passa um ano a treinar e perde tudo em apenas 20 segundos”.
Para manter a concentração, antes de uma competição, o ginasta de trampolim tem um segredo: “Escrevo numa espécie de diário de bordo, que levo comigo para todo o lado. Comecei a fazê-lo por indicação do meu treinador [Carlos Matias, treinador no Clube Trampolins de Salvaterra e seleccionador nacional da modalidade] e percebi que isso me acalmava os nervos e melhorava a minha concentração”, conta.
Lucas Santos vive e estuda em Benavente, mas treina no Clube Trampolins de Salvaterra, em Salvaterra de Magos. “O meu dia começa com a ida para a escola [Secundária de Benavente] e termina pelas 22h00, depois do treino diário no clube. É muito desgastante e quando chego a casa já não me resta energia para fazer mais nada, senão descansar o corpo”, conta a
O MIRANTE.
Foi a mãe que o inscreveu, em 2011, no clube de Salvaterra, sem que o próprio tivesse demonstrado interesse pela modalidade. Na altura, jogava futebol no Grupo Desportivo de Benavente, mas “tinha um comportamento errado para com os árbitros e os restantes jogadores da equipa”, motivo que levou a mãe a inscrevê-lo num desporto individual.
Hoje não imagina a sua vida sem um trampolim debaixo dos pés e agradece aos pais por serem os impulsionadores do sonho de saltar cada vez mais alto. “Sem o apoio dos meus pais, o meu percurso não existia, pois são eles que suportam os custos das viagens que me levam a cada competição”, diz o ginasta, acrescentando: “Infelizmente a Federação Portuguesa de Ginástica não dá o apoio necessário para jovens como eu, que integramos escalões abaixo dos seniores, podermos representar o nosso país em campeonatos lá fora”.

Campeão na Rússia contra um trio de russos

Depois de uma viagem de seis horas, do fuso horário e de enfrentar temperaturas abaixo dos zero graus, no dia 15 de Novembro de 2018, em São Petersburgo, Lucas Santos sagrou-se campeão do mundo de duplo-mini trampolim contra três ginastas de nacionalidade russa, o que “não caiu bem” à maioria dos espectadores de bancada e organização. “Foi vergonhoso, não aceitaram a derrota e como castigo não tocaram o nosso hino até ao fim”, lamenta. Porém, a comitiva portuguesa presente, com cerca de 80 elementos, acompanhou Lucas à capela, até ao último verso d’A Portuguesa, respeitando a métrica musical.
Na chegada a solo português, Lucas foi surpreendido pelos seus colegas de turma que o esperaram no aeroporto. “Emocionei-me. Nunca vou esquecer a imagem deles a gritarem: temos um campeão do mundo”.

Um atleta nato que quer ser professor

O jovem ginasta sabe que nasceu para o desporto, mas não tem “ilusões” quanto ao seu futuro profissional. “É impossível viver-se somente da ginástica em Portugal, por isso sei que quero seguir a área do desporto e se tudo correr bem serei professor de educação física”, diz.
Detesta estudar matemática, adora dormir e diz que a escola chega a ser um sacrifício, quando está em época de competição. “Falto às aulas, não tenho tempo para me dedicar aos estudos”, diz Lucas, que lamenta que alguns professores não compreendam o esforço que faz e o ajudem a repor a matéria.

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