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Benfica quer cafetarias do Jardim da Liberdade mas questão não é pacífica
O documento foi aprovado por maioria com sete votos contra (3 do PS, 3 da CDU e 1 do BE)

Benfica quer cafetarias do Jardim da Liberdade mas questão não é pacífica

Assunto motivou discussão e alguns votos contra na última sessão da Assembleia Municipal de Santarém.

Edição de 22.01.2019 | Sociedade

A desafectação do domínio público para o domínio privado do município das cafetarias do Jardim da Liberdade, em Santarém, com a finalidade de as ceder ao Sport Lisboa e Benfica (SLB), suscitou polémica na última sessão da assembleia municipal. O presidente da câmara, Ricardo Gonçalves (PSD), referiu que se tratava apenas de um “passo administrativo necessário” ao desenvolvimento do processo, mas alguns deputados municipais insistiram durante cerca de duas horas sobre a necessidade dessa transição e quiseram saber mais alguns contornos do negócio.
Apesar de todos concordarem com a concretização desse projecto para a cidade, a dúvida instalou-se sobre a necessidade de passar o espaço para o domínio privado. A falta de “clareza” e até de “transparência” foram algumas das críticas apresentadas pelos deputados municipais sobre o documento entregue para apreciação dos eleitos. Carlos Nestal (PS) foi o mais crítico, ao levantar a questão da possibilidade de haver uma falha nas negociações e o clube não vir a executar o projecto. “Neste caso, o que acontece? Ficaremos sem o espaço e sem o projecto?”, questionou.
Ricardo Gonçalves explicou que a proposta em causa era apenas um passo administrativo “importante” para evitar uma hasta pública dos espaços. “Não queremos deixar fugir este projecto que muitas cidades andam a correr atrás”, explicou.
O presidente da câmara referiu ainda que caso falhem as negociações com o Benfica, o município pode voltar a propor a passagem do espaço para o domínio público e será feita uma hasta pública com outras instituições. “Não percebo qual é a dúvida e estou estupefacto de estarmos há duas horas a debater este tema, pois o documento é muito claro”, afirmou Ricardo Gonçalves.
Os eleitos municipais continuaram a bater no ponto da ausência de um protocolo e contrato assinado com a instituição encarnada, manifestando o receio que sem esses documentos assinados seria estarem a dar um passo “no vazio” ao desafectarem o espaço para o domínio privado, referiu também Paulo Chora, do Bloco de Esquerda (BE).
Ricardo Gonçalves explicou que o protocolo ainda não está completo, mas “assim que esteja virá aos órgãos municipais” para apreciação e votação.
Carlos Nestal chegou mesmo a solicitar a retirada do ponto da ordem de trabalhos para que fosse votado “quando houver mais informações”. Proposta que foi negada, tendo o documento sido aprovado pela maioria, com 29 votos a favor (das bancadas do PSD, PS, CDS e independentes), mas registando sete votos contra (3 da bancada do PS, 3 da CDU e 1 do BE).

Casa do Benfica de nova geração

Tal como O MIRANTE já noticiou, existem negociações entre o Benfica e a Câmara de Santarém para instalar, nas cafetarias do Jardim da Liberdade, uma Casa do Benfica de nova geração. O conceito do projecto a implementar pelo Benfica, em articulação com a Casa do Benfica de Santarém, é pioneiro em Portugal, só existindo em Toronto (Canadá) e Cabo Verde, explicou o vereador Jorge Rodrigues (PSD) em reunião de câmara.
O projecto inclui ainda áreas de restauração e serviços administrativos, bem como uma loja com artigos oficiais do clube. Prevê ainda a criação de uma academia para Apoio Escolar e Desenvolvimento Desportivo, num conceito semelhante ao de um ATL-Actividade de Tempos Livres e um mini-campo para a prática desportiva. O Benfica aponta como investimento imediato cerca de 400 mil euros e a criação de 5 a 10 postos de trabalho directos.

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