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“Sou o primeiro a chegar à oficina e o último a sair”
Júlio Bento trabalha como mecânico de motas e motoserras desde os 14 anos

“Sou o primeiro a chegar à oficina e o último a sair”

Júlio Bento da Vermoto continua a ser um apaixonado pelas motas

Edição de 17.01.2019 | Três Dimensões

Júlio Bento tem 70 anos, vive em Santarém e é proprietário, juntamente com o irmão, José Bento, da Vermoto, junto ao hospital particular da cidade. É benfiquista e um ás a arranjar motas e motoserras. Refere na sua auto-biografia que tem uma filha e três cães. Quando pode participa nos passeios do Clube de Vespas da Várzea e aprecia um bom prato. Confessa ser aficionado tauromáquico e diz que o seu maior defeito é trabalhar de mais.

Em criança só joguei futebol com bolas de trapos. Nesse tempo era muito difícil termos bolas a sério. Não havia dinheiro nem para bolas nem para outros brinquedos. Nos tempos livres ajudávamos nos cultivos da família. No recreio da escola costumávamos jogar futebol mas com bolas feitas por nós com restos de tecidos.
Sempre meti as mãos nas motas. Comecei a trabalhar aos 14 anos como mecânico de motas numa oficina ao pé do presídio militar, em Santarém. O meu irmão, José Bento, já lá estava e decidi também aprender o mesmo ofício. Depois fui para a tropa entre 1970 e 1973, regressei novamente para a oficina e, em 1976, passei a trabalhar por conta própria. Entretanto, o meu irmão juntou-se a mim passado ano e meio e, em 1982, abrimos a Vermoto, em Santarém.
A vespa é uma amiga especial. Desde jovem sempre gostei de vespas. Mal adquiri uma comecei logo a participar em passeios organizados pelo Clube de Vespas da Várzea.
Sou o primeiro a chegar e o último a sair. Normalmente, durante a semana, costumo estar no meu estabelecimento pelas oito da manhã e só vou para casa pelas sete da tarde. Aos sábados fico a trabalhar até à uma da tarde.
Gosto de conhecer novas culturas. Já fiz o país quase de lés-a-lés e já estive em vários países da Europa e na América do Sul. Ainda no último fim-de-semana passada estive na Nazaré. É uma forma de ir à descoberta de novas realidades que, no fundo, nos ajuda a ter uma visão mais aberta e não tão limitada da sociedade.
O fado está no meu coração. Não sou de ligar o rádio para ouvir música, mas quando tenho oportunidade, gosto de ouvir fado. Se for um da saudosa Amália Rodrigues, tanto melhor.
O quintal está à minha conta. Tenho muito pouco tempo livre mas, quando posso, entretenho-me no meu quintal a tratar do jardim e da horta e aproveito para estar com a família e actualizar-me. Leio jornais e vejo os noticiários na televisão.
Durante cinco anos pratiquei ginástica. Foi antes de ir para a tropa. Na altura, fazia a mesa alemã. Entrei com mais uns amigos mas depois eles foram desistindo e fui o único que me mantive. Apaixonei-me pela modalidade, tanto que ainda hoje faço questão de ir assistir a saraus de ginástica.
Quando há touradas ou picarias na terra faço questão de ir assistir. Sou um verdadeiro aficionado. A festa brava está-me no sangue.
Aprecio um bom prato e um bom vinho. Gosto de tudo o que são petiscos. Desde caracóis ao cozido à portuguesa, como de tudo. E quando os petiscos são acompanhados por um vinho da região, ainda melhor.
Há mais mecânicos de automóveis do que de motas. Sempre houve mais jovens a aprender a arranjar carros do que motas. Tenho pena que não haja mais mecânicos, mas há muitos jovens que preferem estar sentados e a trabalhar nos computadores do que a mexer num motor.

“Sou o primeiro a chegar à oficina e o último a sair”

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