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“Nós somos os bombeiros cá do sítio”
Miguel Tomás está há ano e meio à frente da Junta de Freguesia de Casével e Vaqueiros. Autarca trabalha como comercial em Lisboa e margem sul e ao final do dia e aos fins-de-semana dedica-se à autarquia para que foi eleito em 2017. Uma vida em alta rotação mas que considera gratificante.
Nascido e criado em Casével, Miguel Tomás mostrou sempre ser uma criança com grande apetência para os números, tanto que, na hora de escolher a área de ensino superior a seguir, não teve dificuldade em optar pelo curso de Contabilidade e Finanças na Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém. Apoio foi o que não faltou por parte da irmã mais velha e da mãe, uma vez que perdeu o pai aos 17 anos.
Miguel Tomás ainda esteve alguns anos dedicado unicamente às suas funções como comercial, numa empresa de máquinas e ferramentas de Lisboa, mas um convite inesperado do anterior presidente da União de Freguesias de Casével e Vaqueiros, Carlos Trigo, levou-o a passar a trabalhar também como tesoureiro da junta. Ao todo, o autarca esteve no cargo quatro anos até ser eleito como presidente da União de Freguesias.
Casado e com duas filhas, Miguel Tomás passa os seus dias em reuniões com clientes, a atender fregueses da União de Freguesias e entre papéis na sede da autarquia. “Durante a semana, os meus dias são sempre muito atarefados. De manhã estou em Lisboa a trabalhar e quando regresso, pelas cinco da tarde, costumo ir resolver problemas a casa de fregueses que, entretanto, contactaram comigo. Já aos fins-de-semana, estou sempre em eventos organizados pela União de Freguesias”, conta o autarca.
A trabalhar há cinco anos e meio na União de Freguesias de Casével e Vaqueiros, são muitas as histórias que Miguel Tomás guarda carinhosamente na memória. “Há cinco anos, decidi acompanhar 36 crianças de famílias desfavorecidas das freguesias, que foram acampar para a Lagoa de Sesimbra. Ver o grande sorriso dos mais novos a verem pela primeira vez o mar marcou-me bastante. De tal forma que ainda hoje tiro uma semana das minhas férias para ir sempre ao acampamento juvenil. Costumo ajudar a cozinhar e a monitorizar as crianças e é muito gratificante”, revela o residente em Casével.
Miguel Tomás diz que ser presidente da junta não é fácil, especialmente porque é o poder mais próximo das populações. “Nós somos os bombeiros cá do sítio. Todas as pessoas têm o meu número de telefone e, quando precisam, lá me contactam”, conta o autarca, admitindo que prefere ir a casa dos fregueses do que recebê-los na sede da União de Freguesias às sextas-feiras à tarde.
Já houve situações, adianta, “que me ligaram de madrugada a dizer que tinha havido uma descarga ilegal e tive de me levantar da cama para ir verificar. Outras que me ligam a pedir para resolver problemas nas habitações e tive de lá ir. Mas, faço tudo com gosto porque considero que assim é que deve ser”, confessa.
Actualmente, refere, a autarquia tem muitas actividades em marcha para apoiar os mais velhos, como passeios anuais e uma carrinha que vai buscá-los gratuitamente para os levar ao posto de saúde de Casével e à Extensão de Saúde de Pernes, mediante o local de residência. O pior é mesmo o Plano Director Municipal que, com as suas restrições à construção, leva muitos jovens a desistir da ideia de construir casa em Casével e Vaqueiros.
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