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Moradores substituem-se à câmara e limpam bairro em Samora Correia
Beatriz Oliveira (à esquerda), Maria Luzia Neves e João da Paz são alguns dos rostos do movimento que nasceu para limpar as ruas do bairro

Moradores substituem-se à câmara e limpam bairro em Samora Correia

Depois de várias queixas da falta de limpeza que deram em nada os moradores, muitos deles com mais de 70 anos, pegaram nas vassouras e começaram a varrer as ruas do Bairro da Esteveira.

Edição de 08.01.2020 | Sociedade

Há muito tempo que os moradores do Bairro da Esteveira, em Samora Correia, se queixam da falta de limpeza das ruas. Depois de várias reclamações feitas à Câmara de Benavente, que não resolveram o problema, decidiram pegar nas vassouras e começar a varrer. João da Paz, de 73 anos, foi o primeiro, até que outros por imitação fizeram o mesmo. Varrem as ruas do bairro quase como um desafio, praticamente todos os dias.
A prática já virou rotina e nem é preciso marcar hora. “Se vou a sair de casa e vejo o João a limpar volto atrás e vou buscar a vassoura”, conta Beatriz Oliveira. Tem 71 anos e uma incapacidade superior a 60 por cento, que lhe limita a mobilidade. Mas isso não a impede de varrer nem que seja um pequeno espaço do passeio. “O que importa é ajudar a manter a rua limpa”, acrescenta.
“Se não varrermos ninguém o faz por nós. A rua está limpa? Pois está, mas é porque somos nós a limpá-la”, atira Maria Luzia Neves, de 70 anos. A antiga professora tem sido um dos rostos que mais tem alertado publicamente para a situação. “Estamos fartos de enviar cartas, fotografias e de ir à câmara, mas isto não muda, está cada vez pior”, afiança.
A Câmara de Benavente tem os serviços de higiene urbana e salubridade pública de Benavente, Santo Estêvão, Samora Correia e Porto Alto adjudicados à empresa SUMA há vários anos. Recentemente e apesar das queixas voltou a assinar um contrato à mesma empresa por um período de 16 meses, pelo valor de 667.920 euros, acrescidos de IVA. A adjudicação foi feita através de concurso público, ao qual concorreram oito empresas, tendo sido a SUMA a que apresentou o valor mais baixo para a prestação do serviço.
O grupo de moradores contesta a escolha do município reclamando mais limpeza. O problema está na falta de pessoal na câmara, que levou à contratação da empresa, que por sua vez também não tem conseguido encontrar pessoal para trabalhar. O presidente da câmara, Carlos Coutinho (CDU), diz que a empresa tem tido dificuldade em encontrar mão-de-obra para realizar os trabalhos. Salienta, no entanto, que o serviço tem melhorado e que vão inclusive ser colocadas mais duas varredoras urbanas nas ruas.

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