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Comissão de acompanhamento impedida de entrar no aterro de Azambuja
Aterro situado em Azambuja é uma bomba de mau cheiro e atrai centenas de aves que se alimentam do lixo

Comissão de acompanhamento impedida de entrar no aterro de Azambuja

Empresa que explora o espaço não autorizou a entrada de técnicos do município e acusa a Câmara de Azambuja de difamar o seu bom-nome. Presidente da autarquia admite recorrer à justiça.

Edição de 27.04.2020 | Sociedade

A comissão de acompanhamento criada para fiscalizar a actividade do aterro de resíduos não perigosos gerido pela empresa Triaza, instalado na periferia da vila de Azambuja, está a ser impedida de lá entrar. A informação foi divulgada pelo presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa, a O MIRANTE, à margem da reunião do executivo municipal. Isto depois de um munícipe, Manuel Couceiro, ter usado da palavra no período de intervenção do público para dizer que a autarquia não pode permitir uma situação dessas e deve, se necessário, recorrer às autoridades.
Segundo o autarca, há cerca de duas semanas a comissão de acompanhamento constituída por técnicos da autarquia contactou a empresa para agendar o dia e hora para a visita, mas o pedido foi recusado. “Disseram que não autorizavam porque a Câmara de Azambuja anda a difamar o bom-nome da empresa”, adiantou Luís de Sousa, admitindo recorrer à justiça para pôr fim ao impedimento.
O MIRANTE contactou a empresa gestora do aterro para mais esclarecimentos, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição.
A comissão de acompanhamento à actividade do aterro foi uma das exigências do município aquando da instalação do mesmo, para se saber que lixo ali é depositado e se cumpre as normas legais. A última fiscalização dos técnicos foi feita, segundo o presidente do município, há cerca de mês e meio.

Posição da câmara estará na origem do impedimento
A atitude dos responsáveis da empresa mudou radicalmente, na opinião do autarca, desde que a Câmara de Azambuja não autorizou o alargamento do aterro e se colocou ao lado da população, defendendo o seu encerramento. Essa decisão, recorde-se, foi tomada numa reunião entre o presidente e os vereadores enquanto decorria uma manifestação contra o aterro por causa dos maus cheiros, em Fevereiro último.
Também nessa altura, a secretária de Estado do Ambiente, Inês dos Santos Costa depositava a sua confiança nas acções de fiscalização da comissão de acompanhamento da autarquia, depois de ter sido questionada pela deputada socialista, natural de Azambuja, Vera Braz, sobre a periodicidade das fiscalizações ao aterro.
O processo de licenciamento do aterro situado no Centro de Tratamento de Resíduos Não Perigosos de Azambuja, infra-estrutura gerida pela empresa Triaza, pertencente à SUMA, está sob investigação, levada a cabo pelo Ministério Público, desde 2018. A Câmara de Azambuja já entregou toda a documentação referente ao processo. Essa mesma documentação foi também entregue, já este ano, a um gabinete de advogados contratado pela câmara municipal para ser analisada, tendo em vista o encerramento do aterro.

Comissão de acompanhamento impedida de entrar no aterro de Azambuja

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