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Incontinência urinária é mais tabu para o homem do que para a mulher
Maria José, Ana Rita Batalha e Rosa Feliciano, na USF de São Domingos, em Santarém

Incontinência urinária é mais tabu para o homem do que para a mulher

Estudos revelam que são as mulheres as mais propensas à incontinência urinária. Mas também são elas quem mais se queixa e até falam pelos maridos na consulta médica.

Edição de 27.04.2020 | Sociedade

Definida pela Associação Portuguesa de Urologia como “uma situação patológica que resulta da incapacidade em armazenar e controlar a saída da urina”, a incontinência urinária afecta um em cada cinco portugueses com mais de 40 anos, sendo que apenas 10% recorre ao médico.
A propósito do Dia da Incontinência Urinária, que se assinalou a 14 de Março, O MIRANTE fez uma consulta na Unidade de Saúde Familiar de São Domingos, em Santarém, onde conversou com a sua coordenadora, a médica Rosa Feliciano, com a enfermeira Ana Rita Batalha e com a responsável pelo secretariado clínico, Maria José. Numa conversa apenas de mulheres a equipa da USF revelou que, apesar dos números respeitantes a estudos nacionais mostrarem que a prevalência da doença tem subido na última década, atingindo sobretudo a mulher, que por receio ou por vergonha não pede ajuda médica, não é essa a percepção que têm no contacto com os seus utentes.
Na USF de São Domingos tem subido o número de casos de incontinência urinária, mas no homem. Parte dos homens afectados associam a incontinência à impotência e por isso raramente falam sobre o assunto. “É mais tabu para o homem que para a mulher”, refere Rosa Feliciano. Normalmente as queixas surgem a partir dos 40 anos e estão muitas vezes associadas a problemas na próstata. Uma próstata aumentada faz pressão sobre a bexiga, o que conduz a episódios de nictúria (levantar durante a noite para urinar) e eventualmente a perdas de urina.
De acordo com a equipa da USF, as mulheres verbalizam muito mais o problema permitindo aos profissionais de saúde fazer recomendações como alguns exercícios de prevenção para grávidas, por exemplo. “Muitas vezes são elas que verbalizam também o problema do marido. São as cuidadoras, tomam conta delas e dos outros, desde os filhos aos maridos e aos pais”, referem praticamente em uníssono Rosa Feliciano e Ana Rita Batalha. “Vêm sozinhas mas conseguem trazer a família toda ao médico”, reforça com graça Maria José.
O médico de família é o primeiro contacto que tanto homens como mulheres têm com os profissionais de saúde. A porta de entrada é sempre pelos cuidados de saúde primários. Só depois de avaliada a gravidade do problema e de tomadas as medidas iniciais é que se referenciam os pacientes para um urologista. É o especialista que pode recomendar medidas mais invasivas, como uma cirurgia, cuja taxa de sucesso ronda os 90%.
Mesmo que as mulheres se coíbam de falar no assunto numa consulta de rotina ou por outra queixa, o médico e enfermeiro de família questionam. Sobretudo em mulheres obesas, diabéticas, no pós-parto ou quando a mulher chega com queixas urinárias e, depois do teste, percebe-se que não tem infecção urinária. Rosa Feliciano refere que mesmo sem queixas verbais não é difícil aos profissionais de saúde perceberem quando algo está errado.

Há cuecas para incontinentes que são autênticas peças de lingerie
O interesse e a divulgação da comunicação social sobre o tema da incontinência urinária tem ajudado a combater o estigma que ainda possa existir. “Hoje há cuecas para incontinentes que são autênticas peças de lingerie”, refere Rosa Feliciano acrescentando que existem soluções para homens e para mulheres, mas mais uma vez são as mulheres que melhor aderem. Ana Rita reforça que, psicologicamente, usar uma fralda tem um impacto muito maior na vida das pessoas. “Ao desenvolver soluções mais discretas a indústria acabou por ser simpática no combate ao estigma”, refere, reforçando no entanto que não é uma solução acessível a todas as bolsas.

Incontinência urinária é mais tabu para o homem do que para a mulher

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