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Padre de Ourém critica suspensão  das missas e leva responso do bispo
foto DR Manuel Pina Pedro

Padre de Ourém critica suspensão  das missas e leva responso do bispo

Vigário Manuel Pina Pedro deu a sua opinião nas redes sociais e levou resposta à letra do responsável da Diocese de Leiria-Fátima. António Marto foi claro: a Igreja não pode contribuir para que pessoas sejam contagiadas e morram por falta de prudência de algum padre.

Edição de 27.04.2020 | Sociedade


Um padre da Diocese de Leiria-Fátima defendeu na sexta-feira, 20 de Março, que os bispos devem levantar a suspensão das missas comunitárias, uma medida tomada devido ao surto de Covid-19 e que considera “altamente lamentável”.
“A todos que têm fé e estão de boa consciência, faço um apelo para que rezem e façam o que for possível, naturalmente dentro dos parâmetros racionais e da paz, para que os senhores bispos levantem a referida suspensão”, escreve Manuel Pina Pedro, Vigário Paroquial de Urqueira e de Casal dos Bernardos, concelho de Ourém, numa mensagem que colocou na sua página da rede social Facebook.
Cerca de duas horas depois da publicação, o bispo de Leiria-Fátima colocou no Facebook da Diocese a resposta ao padre. “Jesus veio para curar e salvar e deu à Igreja a mesma missão. Por isso, a Igreja não pode, por uma fé e zelo mal entendidos, contribuir para que pessoas sejam contagiadas e morram por falta de cuidado e prudência de algum pastor”, sublinha António Marto.
O padre Manuel Pedro tinha escrito que na Igreja Católica portuguesa aconteceu “algo verdadeiramente impensável, altamente lamentável, no mínimo muito triste e sem precedentes em toda a história da Igreja, que foi a suspensão das santas missas comunitárias”. E questionava se, com essa medida, não se estava a manifestar que a celebração da Eucaristia ou da santa missa é algo irrelevante.
“Se Jesus Cristo (…) tem poder para perdoar pecados (por mais graves que sejam), para libertar possessos, curar doentes, ressuscitar mortos, etc., será que não tem poder para nos libertar de uma pequena criatura, o coronavírus?”, perguntava o sacerdote de Ourém.
Na sua reflexão, o vigário interrogava também se não se está a submeter ou a rebaixar Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, médico divino por excelência, ao medo e a um vírus. E evocava “santos e santas da história da Igreja que, face às maiores calamidades que fizeram mais vítimas do que o Covid-19, não fugiram, mas estiveram com o povo administrando-lhes os auxílios divinos”.

O vírus também pode entrar nas igrejas
Na resposta, o bispo avisa que o vírus não permanece fora das portas das igrejas e que a confiança em Deus, a oração e a comunhão eucarística são uma realidade muito diferente do tentar a Deus e desafiá-lo com a pretensão de milagres. “Segundo a lógica do teu raciocínio poder-se-ia chegar até a prescindir dos cuidados médicos”, refere António Marto, afirmando que os sacerdotes devem continuar a celebrar a eucaristia todos os dias, mas em privado. E podem e devem, usar com criatividade e zelo os meios de comunicação social para se fazerem próximos dos fiéis e os ajudarem.

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