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Passou mais um ano sem soluções para a estrada da morte em Azambuja
José Martins (à esquerda), Inês Louro e André Salema da Plataforma EN3, junto ao monumento de homenagem às vítimas da EN3 inaugurado em Maio de 2018, em Vila Nova da Rainha

Passou mais um ano sem soluções para a estrada da morte em Azambuja

Protocolo entre a empresa pública Infraestruturas de Portugal e a Câmara de Azambuja, com vista à requalificação da via, foi assinado há um ano mas o projecto ainda nem sequer começou a ser feito. Impasse tem implicação directa na instalação de empresa que vai pagar metade da obra.

Edição de 27.04.2020 | Sociedade


A Câmara de Azambuja e a empresa pública Infraestruturas de Portugal (IP) assinaram em Janeiro de 2019 um acordo de colaboração para a construção de duas rotundas na Estrada Nacional (EN) 3, em Azambuja, mas “ainda nem sequer foi iniciado o projecto para a obra”. O alerta é deixado por Inês Louro, uma das fundadoras do movimento cívico Plataforma EN3 que desde 2016 reclama soluções para aquela estrada e é também presidente da Junta de Freguesia de Azambuja.
O impasse pode inclusive atrasar a entrada em funcionamento da empresa Projespin S.A., que tem em curso a construção de um edifício logístico mas só pode começar a laborar quando os acessos pela EN3 estiverem concluídos. André Salema, também fundador do movimento cívico e presidente dos Bombeiros de Azambuja, sublinha que é essa empresa quem vai pagar metade do investimento total de 500 mil euros. Câmara de Azambuja e IP vão suportar 125 mil euros cada, o que torna “ainda mais ridículo” este atraso, diz. O MIRANTE contactou a IP mas até ao fecho desta edição não obteve qualquer resposta.
Inês Louro diz que neste momento está a ser “feito o levantamento topográfico e cadastral” pela IP. “Mais de um ano só para fazer levantamentos é demasiado tempo”, disse a autarca a O MIRANTE. “As nossas famílias vão continuar a ficar manchadas de sangue enquanto este assunto não se resolver”, acrescenta André Salema, realçando que o movimento não vai cruzar os braços enquanto as obras não estiverem concluídas.
Nos últimos 18 anos 38 pessoas perderam a vida em acidentes no troço da EN3 que atravessa o concelho de Azambuja. Em média circulam ali diariamente 8.556 veículos, sendo que 22 por cento são veículos pesados, segundo um estudo da IP divulgado aquando da assinatura do protocolo, em Azambuja. A recente ampliação da empresa Sonae, em Vila Nova da Rainha, alerta André Salema, vai trazer mais “cerca de 90 camiões diários a esta estrada”, aumentando os riscos de sinistralidade.

Carregado vive os mesmos problemas
Para a localidade de Carregado, Alenquer, também está prevista a construção de uma rotunda que só avança quando o município requalificar a estrada municipal do Carril, entre a Vala do Carregado e Vila Nova da Rainha, com o objectivo de desviar o trânsito de pesados.
Preocupado com a elevada sinistralidade no troço da Nacional 3 que atravessa o Carregado, o presidente de junta, José Martins, também se juntou ao movimento cívico criado em Azambuja. Em declarações a O MIRANTE, o autarca queixa-se de andar a apelar em vão à IP para colocar sinalização luminosa para reduzir a velocidade na localidade de Casal Pinheiro, onde se regista o maior número de acidentes. “Não há sequer intenção de montar os semáforos. É de lamentar esta inacção e desprezo das tutelas nestas áreas”, frisa.

Postais com imagens trágicas vão chegar ao Governo


A Plataforma EN3 quer levar o assunto ao ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, através de postais com imagens chocantes de acidentes que ocorreram na Nacional 3, entre Azambuja e o Carregado. Os cerca de 200 postais estão a ser distribuídos pela população, a quem o movimento apela que escreva mensagens marcantes e reivindicativas, para relembrar a urgência das obras neste troço.

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