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A estrelinha ajuda mas não é suficiente para fazer um campeão
foto DR Inês Van Hout nasceu na Bélgica e tem feito o seu percurso na patinagem artística em Vila Franca de Xira

A estrelinha ajuda mas não é suficiente para fazer um campeão

Inês Van Hout é treinadora principal de um grupo de oitenta atletas de patinagem artística em Alverca e diz que a modalidade está a crescer. Numa conversa com O MIRANTE fala da modalidade pela qual se apaixonou ainda criança e de como a quarentena imposta pela pandemia de coronavírus vai levar meses a recuperar a condição física das atletas.

Um campeão distingue-se desde novo quando começa a dedicar-se a uma modalidade. Por norma é o mais persistente, focado e responsável. É isso que diz Inês Van Hout, treinadora principal de patinagem artística do Futebol Clube de Alverca. A sua equipa tem dado nas vistas nos últimos anos e tem sido considerada como uma das promessas na modalidade.
Inês é um dos rostos da patinagem artística do clube, criada em 2016 com apenas 15 alunos. São hoje mais de 80 as praticantes que treinam naquela secção três a quatro horas por dia. Excepto nesta fase, devido à pandemia de coronavírus que tem deixado toda a gente em casa.
“Um campeão tem de ser uma pessoa muito persistente, focada e responsável. Para quem não for empenhado e não consiga definir bem os seus objectivos torna-se mais complicado vencer”, explica a O MIRANTE. Inês garante que ter jeito e algum talento é fundamental mas que acima de tudo é o trabalho e o empenho que fazem a diferença, especialmente numa modalidade técnica e artística como a patinagem.
“A estrelinha de campeão existe e pode ajudar mas não é suficiente para fazer de alguém um campeão”, avisa. Inês consegue perceber entre os seus atletas quem tem asas para voar. “Tenho atletas com talento que não se empenham e atletas com menores capacidades que são empenhados e conseguem vencer”, explica.
Inês Van Hout tem 24 anos e nasceu na Bélgica. Veio com quatro anos para Portugal e a natação era a sua paixão até ter calçado uns patins. Começou na patinagem em 2004, quando já tinha nove anos, considerada uma idade tardia para começar. Ainda assim apaixonou-se pela modalidade e conseguiu sagrar-se campeã nacional por grupos, vice-campeã nacional em solodance, integrou a selecção nacional que representou Portugal no Campeonato do Mundo e foi campeã distrital.
A patinagem é um desporto caro, exigente e mal pago mas recompensa os atletas com a adrenalina da vitória. “Na verdade gastamos do nosso dinheiro para andar nesta vida mas é a nossa paixão”, revela.

Adeus Vila Franca de Xira, olá Alverca
Inês vestiu a camisola do União Desportiva Vilafranquense “desde sempre” até ao momento em que mudou de residência para Alverca. Começou a dar treinos no clube daquela cidade vizinha e o ambiente no Vilafranquense passou a ficar “mais duro”. Foi então que decidiu mudar de clube. “Alverca era o meu futuro e um projecto que podia agarrar enquanto treinadora principal, não pude recusar”, confessa. A mudança gerou um clima de tensão dada a rivalidade existente entre as duas cidades.
Apesar de ser um desporto para todos ainda há uma ideia pré-concebida que só as mulheres vão para a patinagem. “Isso está a mudar e já temos dois rapazes. A patinagem está a evoluir bastante e Lisboa é dos distritos nacionais mais fortes. Temos qualidade e quantidade”, elogia.
Inês considera que é mais fácil ser atleta do que treinadora. Ambas têm desafios mas uma é mais fácil do que a outra. Excepto quando as coisas correm mal. “Quando um atleta falha não é apenas ele que se sente frustrado, nós também nos sentimos. Sofremos de várias maneiras como os nossos atletas. Cabe-nos saber gerir isso da melhor forma”, explica, considerando que se aprende mais com as derrotas do que com as vitórias. O sonho de Inês é continuar a fazer evoluir a modalidade na cidade onde gosta de viver e onde destaca o sentimento de bairro, calma e proximidade com Lisboa.

Coronavírus prejudica treinos

O projecto em Alverca é a longo prazo e por isso é prematuro falar em grandes campeões nesta fase apesar de já terem vencido o ano passado a Taça de Lisboa. Mas Inês já tem uma certeza: o impacto desportivo da quarentena imposta pelo coronavírus vai ter efeitos adversos. “Temos os atletas parados e em casa. Fiz um plano de treinos técnicos para poderem continuar a trabalhar fora dos patins. Mas para quem treina três a quatro horas por dia, de um momento para o outro deixar de ter esse treino diário, vai ser muito complicado de gerir. A recuperação vai demorar mais algum tempo”, lamenta.

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