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Gabriela em Fátima e o milagre da multiplicação dos médicos

Circunscrito Manuel Serra d’Aire
Li algures que a estreia do filme “Fátima” em Portugal, prevista para 30 de Abril, foi adiada para 13 de Agosto devido à pandemia da Covid-19. Nada de espantar até aqui, não fosse o facto de, umas linhas mais abaixo nessa mesma notícia, ser feita a revelação do elenco onde consta, imagina, a antiga sex symbol brasileira Sónia Braga a interpretar o papel de Irmã Lúcia.
Confesso que fiquei pasmado perante essa heresia. Com as devidas distâncias (um termo hoje em dia muito apropriado), imaginar Sónia Braga como Irmã Lúcia é o mesmo que ter o Sylvester Stallone a fazer de Papa Francisco ou o Bruce Willis como Mahatma Ghandi. Não bate a bota com a perdigota, diria eu. Só faltava terem escolhido a lasciva Madonna para o papel de Nossa Senhora para o cardápio ficar completo…
Não sei o que pensará disto o beatífico vigário de Ourém que queria as igrejas abertas em tempos de pandemia. Mas tenho quase a certeza que o presidente da Câmara da Golegã, Veiga Maltez, vai reconciliar-se com a Igreja Católica quando souber desta novidade cinéfila. Afinal de contas, poucos terão sido os da sua geração (e não só) que ficaram imunes aos encantos da então curvilínea intérprete de Gabriela, Cravo e Canela. Escolher Sónia Braga para fazer de Irmã Lúcia é daquelas coisas que não lembrava ao Diabo...
A Direcção da Organização Regional de Santarém do PCP emitiu um comunicado onde manifesta a sua preocupação e repúdio pela decisão do Centro Hospitalar do Médio Tejo em encerrar os serviços de urgência básica de Tomar e de Torres Novas durante a noite, para alocar mais meios humanos ao Hospital de Abrantes, onde se centra o combate contra a Covid-19 no Médio Tejo.
Os comunistas referem que a luta contra a pandemia não pode ser pretexto para se encerrar serviços e diz que é indispensável que o Governo, neste contexto de crise de saúde pública, procure o reforço das equipas médicas com recurso às bolsas de profissionais disponíveis e a novas contratações. Conhecendo-se a actual situação, e a recorrente falta de médicos nos nossos hospitais, é caso para dizer que os comunistas deram em fervorosos crentes e passaram a acreditar em milagres. Neste caso, no milagre da multiplicação dos médicos.
Após vinte anos a zurzir e a espetar ferroadas em políticos e afins nesta coluna, confesso que já acuso o desgaste. Não é que os nossos poderes públicos não mereçam umas bordoadas de vez em quando, mas nestes tempos de pandemia o coração amolece e deixa de apetecer distribuir cajadada verbal. Até porque a maior parte dos políticos tem-se portado lindamente, ao contrário dos profissionais da má-língua nas redes sociais, agora convertidos em especialistas de saúde pública e virologia. Os mesmos que são também licenciados em segurança pública, doutorados em futebol e catedráticos em fogos florestais. Os covidiotas andam por aí à solta e são quase tão perigosos como o vírus. Por isso tem cuidado, não te deixes contaminar!
Um abraço desinfectado do
Serafim das Neves

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