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“Dia da apanha da espiga era oportunidade para deitar o olho às raparigas”
Manuel Gabirra, presidente da Adega Cooperativa de Almeirim

“Dia da apanha da espiga era oportunidade para deitar o olho às raparigas”

Manuel Gabirra gostava que Almeirim tivesse uma festa da Ascensão

Edição de 20.05.2020 | Especial Ascensão

Agora a maior preocupação do presidente da Adega Cooperativa é com as vinhas e as outras culturas.

A altura da Ascensão é época de muito trabalho para Manuel Gabirra. O presidente da Adega Cooperativa de Almeirim tem de andar no campo, como outros agricultores, a fazer curas nas vinhas e nas outras culturas. É uma altura em que o tempo muda e isso é propício ao aparecimento de pragas, como o míldio na vinha.
Quando era jovem, o agricultor, agora com 70 anos de idade, não tinha as actuais preocupações e vivia a aproximação de Quinta-Feira da Ascensão com outros pensamentos. Ele e outros jovens. Todos sabiam que naquele dia tinham oportunidade de conviver, mais à vontade, com as raparigas.
Nesse tempo as moças eram vigiadas de perto pelas mães que não as queriam perto dos rapazes que não tivessem intenção de casar com elas. Quando se namorava era para casar e quem namorasse e não casasse tinha, mais tarde, dificuldade em arranjar marido.
Fazer a corte a uma rapariga nesses tempos exigia arte e engenho e um jogo do gato e do rato. Era na quinta-feira de espiga que os rapazes sentiam o coração a palpitar logo uns dias antes, sabendo que era uma das raras alturas em que as raparigas iam para o campo apanhar a espiga com as amigas e sem as mães por perto. Era a altura mais desejada e importante para os jovens apesar de muitos nem saberem o que significava o dia.
Manuel Gabirra já sabe há muito que na Quinta-Feira de Ascensão se assinala, em termos religiosos, a subida de Jesus Cristo ao céu e que se apanha a espiga, como celebração das primeiras colheitas e pedido para prosperidade nas culturas. Agora em vez de ir ver das raparigas vai ao campo aplicar pesticidas porque as pragas não desaparecem por milagre. Quando anda ao volante do tractor a pulverizar as plantas vê ainda algumas pessoas a apanharem papoilas, ramos de oliveira ou trigo para o ramo da espiga. Nessas alturas recorda-se dos outros tempos em que eram outras as celebrações dos jovens.
Manuel Gabirra gostava que Almeirim tivesse uma festa que assinalasse a Ascensão, mas reconhece que isso já devia ser há algum tempo, porque os da sua idade já começam a estar desligados da tradição e os jovens não se prendem a nada. Entretanto vai pensando na ascensão da adega que dirige há uma década e onde, desde 1987, já foi tesoureiro e vice-presidente.

“Dia da apanha da espiga era oportunidade para deitar o olho às raparigas”

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