Esta lenta mas autêntica Ascensão que nos está a saber pela vida
Quis o destino que o desconfinamento, que nos dá esperança de podermos recuperar o quase tudo que perdemos, ocorra na época em que vamos celebrar a Ascensão. Quem puder que apanhe a espiga e faça o tradicional ramo para pôr atrás da porta. Seja de casa, da empresa, do restaurante, do café, do escritório, da clínica, do ginásio. Pode não atrair a sorte e a fortuna mas vai lembrar-nos, dia-a-dia, que somos capazes.
Este ano a Quinta-Feira da Ascensão ou quinta-feira da espiga calha a 21 de Maio. Em Portugal já foi feriado nacional mas deixou de o ser em 1952. Actualmente é feriado municipal em 31 concelhos, muitos dos quais da região ribatejana.
Por aqui é feriado municipal em Alcanena, Alenquer, Almeirim, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Golegã, Salvaterra de Magos, Sobral de Monte Agraço, Torres Novas e Vila Franca de Xira.
Nem todos os concelhos onde é feriado, costumam ter festas e este ano nem nesses elas serão feitas, mas haverá, no íntimo de cada um, a esperança numa ascensão segura, de pessoas e empresas.
Em Quinta-Feira de Ascensão os cristãos celebram a subida de Jesus Cristo aos céus 40 dias após a ressurreição. Mas o dia é também o da celebração popular da apanha de espigas e flores a fim de fazer um ramo que é colocado em casa para atrair a sorte e a prosperidade.
Para quem não souber como se faz fica aqui a receita. Três espigas de trigo, cevada ou centeio, três malmequeres amarelos ou brancos, três papoilas, um ramo de oliveira em flor, uma esgalha de videira com cacho em formação e um pé de alecrim ou rosmaninho. Juntam-se os “ingredientes”, atam-se com um cordel ou fio de ráfia e está feito o ramo da espiga que, em casa, virado para baixo, fica de um ano para o outro para dar sorte e fartura. Boa sorte, que bem precisamos.