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Comemorações dos 106 anos do concelho de Alcanena marcadas pela crispação política
Sessão solene foi aproveitada pela oposição para lançar críticas ao executivo liderado pela socialista Fernanda Asseiceira. A autarca diz que está a ser alvo de ataques pessoais e que é de mau gosto aproveitar as celebrações para atacar o trabalho feito.
As comemorações dos 106 anos da elevação de Alcanena a concelho, no dia 8 de Maio, ficaram marcadas pela crispação política entre a oposição e a maioria socialista que gere o município. Na sessão solene, que decorreu no Cine-Teatro São Pedro, houve uma troca de acusações entre os representantes das forças políticas com assento na assembleia municipal e a presidente de câmara Fernanda Asseiceira (PS). A autarca diz que se tratou de “mau gosto” a escolha do dia para a oposição deitar abaixo o trabalho feito e sublinhou várias vezes que se trata de uma “perseguição pessoal”.
A sessão decorreu sem a presença de público e da comunicação social devido às restrições provocadas pela pandemia do coronavírus. O representante da CDU na assembleia municipal, Ivo Santos, foi o mais crítico sobre as políticas “erradas” seguidas pelo executivo liderado por Fernanda Asseiceira. Um concelho “estagnado”, onde a redução do número de habitantes é consequência da fraca aposta nas oportunidades de emprego o que leva os jovens a “fugirem” foi o tema que mais sublinhou. O ambiente não foi esquecido pelo comunista referindo que os problemas da poluição “não acabaram”.
O representante da bancada do Movimento Cidadãos por Alcanena (PSD/CDS/MPT), Rui Anastácio, foi mais longe e defendeu que cada cêntimo do orçamento municipal deve ser colocado ao serviço da economia e da sociedade e não “ao dispor de quem quer seguir carreiras políticas”. O tema da captação de população para o concelho foi também abordado por Rui Anastácio. “Não existem varinhas mágicas, mas ou há ambição ou não há”, atirou.
Presidente pede à oposição para mudar de registo
Fernanda Asseiceira subiu ao palco para sair em defesa do seu nome e das políticas que o seu executivo tem desenvolvido e lamentou a escolha de um dia de celebração para a realização de ataques políticos. “Mudem de registo”, começou por retorquir a autarca. “Para a oposição qualquer sítio serve para a maledicência e para o ataque pessoal. É um mau serviço público que prestam a este concelho”, acrescentou ainda.
Fernanda Asseiceira termina o seu ciclo como autarca no próximo ano, não podendo recandidatar-se e mais uma vez lembrou toda a obra feita com contas consolidadas. Em sua defesa recordou a dívida que herdou quando tomou posse em 2009, de cerca de 20 milhões de euros, que reduziu em 70%. “A oposição desvaloriza tudo o que foi feito. Aliás, sempre que pode, nas reuniões de câmara, vota contra tudo o que seja obras e desenvolvimento para o concelho”, reiterou.
Na sessão subiram ainda ao palco o presidente da mesa da assembleia municipal, Silvestre Pereira, que aproveitou para deixar uma palavra a toda a população profissional e voluntária que tem estado envolvida no combate à Covid-19. Também a representante da bancada socialista na assembleia municipal, Carla Batista, subiu ao palco para valorizar o trabalho feito pelo executivo socialista.
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