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“Economia podia funcionar normalmente se uso de máscara fosse obrigatório”
foto DR Investigador scalabitano no Centro Hospitalar de Dresden, na Alemanha, diz que as pessoas só vão poder voltar a abraçar-se e retomar rotinas quando existir uma vacina para a Covid-19

“Economia podia funcionar normalmente se uso de máscara fosse obrigatório”

Jorge Ferreira, natural de Santarém, é investigador no Centro Hospitalar de Dresden, na Alemanha, há cerca de dez anos. Está envolvido numa investigação que visa a melhoria dos ventiladores e tornar a sua utilização menos dolorosa para os pacientes. O biólogo considera que o que correu mal com o novo coronavírus foi o facto de ter surgido em Novembro do ano passado e a comunidade científica não ter sido informada atempadamente. “A China disse que tinha a situação controlada, por isso nunca se pensou que o problema chegasse à Europa e ao resto do mundo”, critica.

Edição de 11.05.2020 | Sociedade

A utilização de máscaras faciais deveria ser obrigatória em Portugal no dia-a-dia para as pessoas, sobretudo as mais velhas e debilitadas, estarem mais protegidas do novo coronavírus, facilitando também a retoma da actividade económica. O problema é que não existem máscaras suficientes para toda a população, situação que deve ser resolvida com urgência. Sobretudo em época de Primavera quando as alergias são frequentes e os espirros propagam o vírus com maior facilidade. A opinião é do investigador na área da Biologia, Jorge Ferreira, natural de Santarém e que vive em Dresden, na Alemanha, há mais de dez anos. O investigador, de 41 anos, refere ainda que o confinamento no nosso país deveria durar pelo menos mais dois meses para que tudo corra bem.
“O problema de Portugal é que muitos cidadãos não respeitam as regras. Na Alemanha a economia não fechou totalmente como em Portugal, porque as pessoas utilizam máscara e respeitam todas as regras e o distanciamento social”, explica a O MIRANTE numa entrevista que decorreu através de videochamada. Jorge Ferreira não é muito adepto do uso de luvas porque, sublinha, há que saber retirá-las e quem as utiliza tem menos tendência a lavar as mãos que é o principal factor para matar o vírus.
O biólogo garante a O MIRANTE que o que correu mal com este vírus, que acabou por se tornar numa pandemia mundial, foi o facto do novo coronavírus ter surgido em Novembro do ano passado e a comunidade científica não ter sido devidamente informada. “A China disse que tinha a situação controlada por isso nunca se pensou que o problema chegasse à Europa e ao resto do mundo. A comunidade científica tinha que estar preparada para este impacto. Inicialmente, muitos imunologistas não levaram este vírus a sério porque não foram informados da sua intensidade. Se a informação tivesse sido avançada atempadamente já estaríamos noutro patamar de investigação, porque tudo isso leva tempo”, sublinha, acrescentando que tiveram que se adaptar muito rapidamente a este vírus cujo principal problema é sofrer mutações muito rápidas.
Jorge Ferreira avisa que as pessoas só vão poder voltar a abraçar e regressar à normalidade quando existir uma vacina, o que poderá acontecer até ao final do ano. “Estamos a testar vacinas em doentes mas vamos ter que testar em animais e vai demorar tempo até podermos estar livres de tudo isto e que a Covid-19 se transforme numa simples gripe”, reforça. O investigador considera que quem possui a vacinação da BCG está mais protegido. “Com a BCG o nosso sistema imunitário está melhor preparado para lutar contra o novo coronavírus porque pode ter semelhanças com a tuberculose”, explica.

“Não houve aposta na inovação de ventiladores em muitos países”
Jorge Ferreira é investigador no laboratório transnacional de investigação do Departamento de Anestesia do Centro Hospitalar Universitário de Dresden. É o único biólogo numa equipa de 20 pessoas que estão envolvidas na investigação de melhoramento dos ventiladores nos pacientes. “Os ventiladores necessitam de um contínuo estudo para melhorar o processo de respiração dos doentes. Cada pessoa tem patologias diferentes e fazemos com que a utilização do ventilador seja o menos dolorosa possível. A nossa investigação permite informar as empresas de construção de ventiladores sobre o que devem melhorar no seu software para que seja mais inovador e confortável para os pacientes”, explica.
O investigador conta a O MIRANTE que têm recebido pacientes de Itália e de França com Covid-19. “Os ventiladores destes países são dos anos 50 e 60 do século passado e estão obsoletos. Não houve aposta na inovação de ventiladores em muitos países por isso a Alemanha está na frente dessa inovação. Por exemplo, uma pessoa infectada com Covid-19 tem que ter um ventilador com pressão e volume baixos de oxigénio, porque o pulmão está a entrar em colapso e queremos evitar isso. Os nossos ventiladores permitem uma maior capacidade de oxigenação, menos dor e inflamação”, refere.
Jorge Ferreira trabalha 13 horas por dia. Confessa-se tão absorvido no seu trabalho e investigação que nem pensa que pode ficar infectado. Vai para o trabalho e regressa a casa a pé apesar de poder apanhar um autocarro. Diz que os 20 minutos de caminhada para o trabalho e outros tantos no regresso o fazem descomprimir e pensar no que poderia fazer melhor na sua investigação. Assim que chega a casa a roupa e o calçado ficam à entrada e a primeira coisa que faz é tomar banho. “Não me posso esquecer que não vivo sozinho e não quero passar qualquer tipo de vírus à minha esposa”, admite.

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