Ginástica ministerial e outras coisas que dão vontade de rir
Acutilante Manuel Serra d’Aire
O concelho de Abrantes perdeu 10 por cento da população entre 2010 e 2018, segundo dados estatísticos da Pordata, e temo que esses números pequem já por defeito em meados de 2020, pois houve pelo menos mais uma abrantina que rumou de armas e bagagens para outras paragens. Falo da ministra da Agricultura e ex-presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, que agora reina no Terreiro do Paço.
Aliás, reina e treina pois, segundo o Correio da Manhã, sempre bem informado nesta área do saber, a ministra da Agricultura está a ter aulas de pilates (não confundir com Pilatos), um exercício físico da moda, nas instalações do Ministério da Agricultura, em Lisboa. E, pelos vistos, a moda pegou de tal maneira que os exercícios já foram alargados ao gabinete da ministra, que deve estar a preparar-se para vencer folgadamente os Jogos Sem Fronteiras governamentais.
A ex-autarca tem todo o meu apoio porque é necessária muita flexibilidade de movimentos e apurado jogo de cintura para se singrar na vida política. Ninguém consegue fazer piruetas encarpadas, flic-flacs à retaguarda e outras manobras complicadas se não tiver as dobradiças devidamente oleadas. Só tenho um reparo a fazer: sendo ela a ministra do mundo rural podia recorrer a uma actividade física mais consentânea com a pasta que ocupa e levar com ela o seu gabinete. Sachar batatas, apanhar azeitona ou tomate ou podar videiras são exercícios ao alcance de qualquer comum mortal. Basta arranjar um personal trainer à altura entre os muitos agricultores ribatejanos, que por certo se ofereceriam desinteressadamente para servir a pátria nessa nobre missão.
Continuando na agricultura: três empresas de cultivo de canábis para fins terapêuticos já receberam pré-licença por parte do Infarmed para instalação no concelho de Mação. É sempre salutar ver perspectivas de investimento privado no interior, ainda para mais sabendo-se da importância de diversificar as culturas num território onde predominam os inflamáveis pinheiro e eucalipto. No entanto, na minha perspectiva, trata-se de um projecto de alto risco precisamente por ter companhias vegetais tão indesejáveis. Todos sabemos que o concelho de Mação é ciclicamente fustigado por incêndios florestais. E não quero imaginar as chamas a irromperem por essas grandes plantações de canábis e as consequências que a inalação da fumarada poderia ter entre a população da zona. Seria, provavelmente, a maior ‘moca’ colectiva de sempre.
A moda de se meterem com as estátuas também chegou ao Ribatejo. A ‘vítima’ foi a efígie de Camões em Constância. Li as reacções crispadas ao atentado por parte de autarcas e dirigentes associativos e fiquei estarrecido. Querem ver que arrancaram a escultura e mandaram-na ao Zêzere, pensei eu com os meus botões. Felizmente a montanha pariu um rato e, linhas adiante, explicava-se que um anónimo e perigoso delinquente havia colocado uma máscara anti-Covid no rosto do poeta. Uma brincadeira transformada em crime lesa-pátria que sempre deu para o jovem e bisonho presidente da autarquia – que parece ter o sentido de humor de uma bigorna - fazer figura de duro nas redes sociais…
Saudações ingrícolas do
Serafim das Neves