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Lider da JS da Azambuja quer jovens a viverem no concelho
Gonçalo Ferreira é o presidente da Juventude Socialista de Azambuja, que fez renascer das cinzas juntamente com mais meia centena de jovens

Lider da JS da Azambuja quer jovens a viverem no concelho

Aos 23 anos Gonçalo Ferreira lidera a Juventude Socialista de Azambuja. Não falha uma assembleia municipal porque diz que a política não se aprende em cafés ou nas redes sociais. Em entrevista a O MIRANTE lamenta que ainda haja quem pense que as juventudes partidárias só servem para abanar bandeirinhas nas campanhas eleitorais e que não têm voz própria.

Edição de 01.07.2020 | Entrevista

Aos 23 anos Gonçalo Ferreira lidera a Juventude Socialista de Azambuja. Não falha uma assembleia municipal porque diz que a política não se aprende em cafés ou nas redes sociais. Em entrevista a O MIRANTE lamenta que ainda haja quem pense que as juventudes partidárias só servem para abanar bandeirinhas nas campanhas eleitorais e que não têm voz própria.

Gonçalo Ferreira está à frente do seu primeiro mandato como presidente da Juventude Socialista (JS) de Azambuja que fez renascer das cinzas juntamente com mais meia centena de jovens. A ambição maior é vencer a luta para que a população jovem não fuja de Azambuja para a capital.

Nasceu em Santarém há 23 anos, vive em Azambuja e aos 17 fez-se militante do Partido Socialista (PS), sem que por trás houvesse um empurrão da família. Em 2019 ajudou a reactivar a JS em Azambuja. Diz que não está na política para abanar bandeirinhas e não sabe a que cargos quer aspirar, mas fala até que a voz lhe doa em assembleias municipais e reuniões de câmara.

Nesta conversa, que decorreu no jardim urbano de Azambuja, Gonçalo Ferreira fala da sua entrada na vida política activa, mas também do miúdo que, por medo de um futuro laboral precário, trocou a música pelo Direito. Lamenta que o descrédito na política tenha contagiado os jovens e critica os autarcas por reclamarem constantemente a paternidade das medidas implementadas ao invés de perceberem se servem o real interesse da população.

Como começou o seu interesse pela política?

Desde criança que sou interessado pelo que acontece no país e no mundo. Lembro-me de os meus amigos estarem a ver desenhos animados e eu o noticiário. Com 17 anos fiz-me militante do PS e quando entrei para a faculdade estreei-me no associativismo académico. Daí até perceber que queria fazer política activa foi um salto natural.

Foi fácil cativar jovens para a JS?

Fácil nunca é. Infelizmente existe um afastamento dos jovens face à política. Não digo que seja um desinteresse total, mas acho que a política não é uma prioridade para os jovens. Para que seja, ainda é preciso desmistificar, acabar com a ideia do político senador inacessível, de gravata ao pescoço e mostrar que a política pode ser feita por jovens e para jovens.

Como têm feito política os cerca de cinquenta jovens da JS de Azambuja?

A imagem que se tem das juventudes partidárias é a de que andam atrás do partido a abanar bandeirinhas e a fazer política de Facebook. Não é isso que fazemos. Encaramos a nossa missão política com seriedade. Vamos para a rua escutar as pessoas, autarcas e as forças vivas do nosso território. Em menos de um ano ganhamos voz e algumas vitórias, como a redução do valor do passe social, por exemplo, que surgiu depois de sermos ouvidos pela tutela. Agora lutamos para que seja alargado até às Virtudes. Outro passo foi o manifesto que fizemos sobre a necessidade de reabilitar a Secundária de Azambuja que não tem condições dignas para ser chamada de escola.

Quais são as suas ambições na política?

Na política tudo é volátil. Não nego que no futuro me vejo num cargo, mas não sei onde me encaixaria. Gosto de ter os pés assentes no chão. Neste momento a minha ambição é lutar para melhorar a vida das pessoas e, em particular, dos jovens. Gostava que tivessem condições para continuarem a viver em Azambuja e não terem de fugir para a capital.

O que falta a um jovem em Azambuja?

Falta criar mais incentivos à habitação e, tendo em conta o nosso tecido empresarial, faz falta um pólo de formação profissional. Falta também criar uma relação entre a juventude e a oferta cultural que existe em Azambuja, sobretudo no que toca ao associativismo cultural que tem falta de massa jovem.

É um soldado fiel do PS ou não tem medo de dizer o que pensa?

Não estou na política para ter uma postura acrítica, nem tenho medo de discordar do PS ou dizer que a ideia de outro partido pode ser melhor. A política faz-se pela partilha de ideias e pelo debate. Infelizmente em Azambuja disputa-se muito quem é o pai da ideia e não se é a que serve da melhor forma possível os interesses da população.

Sempre soube que queria estudar Direito?

Não. Comecei por estudar música na Escola Metropolitana, em Lisboa, e estava completamente decidido a seguir esse caminho. Colaborei com a Orquestra Metropolitana, com a Orquestra Gulbenkian e a Banda do Centro Cultural Azambujense, onde também dei aulas de percussão. Depois percebi que o investimento que tinha de fazer era demasiado para acabar a trabalhar num sector que é precário por natureza.

E porquê Direito?

Foi um tiro no escuro. Cheguei à faculdade e pensei: nunca vou conseguir concluir este curso. Observava os meus colegas vindos de colégios, cheios de rotinas de estudo, e eu vinha das artes, onde os livros me pesaram pouco.

Alguma vez trabalhou?

Já. Fiz controlo de qualidade em quatro campanhas de tomate na Sugal para ajudar os meus pais a pagar os meus estudos, apesar de sempre ter tido bolsa de mérito.

Tem alguma experiência na agricultura?

Temos uma horta em casa e gosto de ajudar o meu pai. É uma horta a sério, não é um canteiro com alfaces e coentros. Plantamos batatas, melancias, melão, favas, de tudo um pouco.

Maio de 2020 foi o primeiro ano em que não pisou a Feira de Maio?

Infelizmente não. Por causa do curso de Direito andei dois anos sem ir à Feira de Maio. O pior é que acabei o curso e este seria o meu ano da desforra, não fosse a pandemia. É terrível para um azambujense...

“É urgente fechar o aterro”

Como gosta de ocupar os tempos livres?

Não perco um debate quinzenal da Assembleia da República e gosto de ver os comentários políticos de Paulo Portas e Marques Mendes. Corro, ando de bicicleta e faço ginásio. Como benfiquista ferrenho gosto de ir ao estádio ver o meu clube jogar, mas se houver assembleia municipal deixo a bola de lado.

O que faz um jovem trocar a bola por uma assembleia municipal?

Uma assembleia municipal não é tão divertido como ir à bola ou a um concerto, mas é onde me posso informar sobre aquilo que é decidido para o meu concelho. Há jovens, como eu, que fazem por saber e que percebem que a política não se faz ou se aprende nos cafés e nas redes sociais.

O ambiente preocupa-o?

É a causa das causas da minha geração. Em Azambuja preocupa-me o aterro. Vivo a 500 metros dele e há dias em que não consigo estar no espaço exterior de casa. Não sei se acordámos tarde para o problema, mas é urgente fechá-lo.

É apologista de greves e manifestações?

Totalmente. São formas de activismo político. Não nos podemos esquecer que muitos dos nossos direitos laborais foram conquistas dos movimentos sindicais.

Iria para a rua em defesa da tauromaquia?

Sou defensor das minhas tradições e a tauromaquia faz parte delas. Iria para a rua de megafone na mão em defesa de qualquer causa em que acredite.

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