uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Capela de Arcena é um símbolo mas está votada ao esquecimento
Moradores de Arcena reclamam dinamização e recuperação da capela mais antiga da localidade

Capela de Arcena é um símbolo mas está votada ao esquecimento

Moradores lamentam que a capela, que era um importante elo de ligação da comunidade, esteja ao abandono e a degradar-se.

Edição de 02.09.2020 | Sociedade

A capela de São Clemente, um dos edifícios com maior simbolismo de Arcena, lugar da cidade de Alverca, está fechada há meses, já não acolhe iniciativas e vários moradores lamentam o seu estado de abandono. O edifício não está em péssimo estado de conservação – como chegou a estar no passado – mas precisa de pequenas reparações. Era um espaço importante na vida comunitária das gentes de Arcena mas em pouco mais de quatro anos eclipsou-se do mapa.
Chegou a ser palco de casamentos, baptizados e missas. Agora nada disso tem lugar naquela capela, considerada por muitos uma das mais rústicas e bonitas da cidade, devido aos painéis de azulejos que tem no seu interior.
A comissão que organizava as festas de Arcena e a procissão de São Clemente extinguiu-se há três anos por falta de gente interessada. A Junta de Alverca chegou a tentar organizar os festejos mas não conseguiu, da parte da paróquia, autorização para abrir a capela. “Alguém tem de ter cuidado com isto porque é património da terra. Não é nenhum palheiro. Vejo que as coisas estão mal e gosto de ver as coisas arranjadas, assim é uma tristeza”, critica Luís Santos, morador de Arcena. Para este soldador de 60 anos não custava nada pintar ou caiar os espaços exteriores da capela para lhe dar um ar mais cuidado.
As floreiras estão partidas e mal cuidadas, uma parte do tecto de madeira da galilé está a partir-se e no telhado até já está a nascer uma oliveira. Uma das portas da capela empenou e já não abre. Outra moradora de Arcena, Fernanda Maria, acusa a paróquia de Alverca pela falta de dinamização e abandono do local.
“Estes padres esqueceram-se de Arcena. Fecharam isto e ignoraram completamente toda a gente. Nem sequer confiam a chave da capela. Há gente que aqui passa e gostava de a visitar por dentro e não pode. Há filhos de pessoas de Arcena que nunca lá entraram”, critica.
O MIRANTE contactou a paróquia de Alverca, que tem um novo pároco ao serviço, Marcelo Boita, mas este remeteu explicações para uma futura reunião a agendar para Setembro.
A poucos metros da capela vive o actual presidente da Junta de Alverca, Carlos Gonçalves, que também lamenta a falta de dinamização daquele edifício. “Gostava que a capela tivesse outra dinâmica, que houvesse o retomar das festas de Arcena e da tradição de São Clemente sair à rua. Mas não nos podemos esquecer que a Arcena de hoje é diferente da antiga. Hoje vivem aqui perto de três mil pessoas e as dinâmicas mudaram”, reconhece. O autarca diz já ter falado do assunto com o novo líder da paróquia e que está a aguardar que este possa estudar uma forma de dinamizar a capela.

Templo data do século XVI

Situada na Rua Olival Santo, aquele templo rural foi edificado no final do século XVI e Arcena cresceu à sua volta. Possui azulejos do século XVII e um retábulo maneirista que é único no concelho. Em 2014, depois de uma forte mobilização do então movimento cívico “O Estado de Arcena”, a capela acabou por ser parcialmente recuperada com o esforço da população.

Capela de Arcena é um símbolo mas está votada ao esquecimento

Mais Notícias

    A carregar...

    Capas

    Assine O MIRANTE e receba o Jornal em casa
    Clique para fazer o pedido