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Projecto da envolvente à nascente do Almonda passa de esquecido a prioritário
Projecto de requalificação incluía alterações paisagísticas, . mas não a criação de um espaço para banhos

Projecto da envolvente à nascente do Almonda passa de esquecido a prioritário

Pedro Ferreira, presidente da Câmara de Torres Novas, vai reunir com director da empresa Renova para discutirem soluções para o local e diz que projecto não avançou nos últimos quatro anos por não ser prioritário

Edição de 02.09.2020 | Sociedade

A ideia de se avançar com um projecto para requalificar a zona envolvente à nascente do rio Almonda, apresentado em Julho de 2016 pelo presidente da Câmara de Torres Novas, nunca saiu do papel porque não era prioritário. O autarca, Pedro Ferreira, disse a O MIRANTE que foram surgindo outras prioridades e este projecto foi sendo adiado. No entanto, o autarca esclarece que o ante-projecto incluía alterações paisagísticas e nunca foi considerado criar ali um espaço para banhos. No mesmo projecto estava previsto, junto à velha fábrica da Renova, a criação de um percurso pedonal.
Como O MIRANTE noticiou o espaço continua descuidado e ao abandono e, recentemente, a empresa interditou-o ao público para evitar aglomerações de visitantes. A maior afluência de pessoas ao espaço da nascente do rio Almonda, localizada em terreno privado, pertencente à empresa Renova, na localidade de Casais Martanes, no concelho de Torres Novas, fez com que a administração da empresa chamasse, em meados de Julho, a Guarda Nacional Republicana (GNR) durante um fim-de-semana para retirar as pessoas que ali se encontravam.
Pedro Ferreira afirmou a O MIRANTE que vai reunir no final desta semana com o director da Renova para discutirem os projectos para o local. O presidente da Câmara de Torres Novas refere que a nascente do Almonda é pública mas tem condicionamentos porque o local é considerado perigoso. “As pessoas nunca foram para ali para tomar banho porque é um espaço perigoso. Quem mora ali perto sempre aproveitou aquele espaço mais para convívio e zona de lazer, até para namoros”, recorda.
Como O MIRANTE noticiou a semana passada, a decisão da Renova de interditar o espaço ao público tem levantado dúvidas e críticas. A CDU de Torres Novas tomou uma posição política criticando a atitude da administração da Renova. Os comunistas defendem que apesar de a “generalidade dos terrenos ser propriedade privada”, a nascente do rio Almonda “é do domínio público”, que deve poder ser desfrutado por quem o deseja. A vereadora do Bloco de Esquerda (BE) na Câmara de Torres Novas, Helena Pinto, apelida a atitude da Renova como “abusiva” e defende que está na hora da empresa dar “retorno” ao concelho de onde “há muitos anos retira a matéria-prima que lhe permitiu enriquecer”, aponta. “Não é nada do outro mundo fazer obras e colocar o rio, que é do domínio público, ao serviço de quem quer usufruir dele”, rematou Helena Pinto.
Também o presidente da Assembleia Municipal de Torres Novas, José Trincão Marques (PS), salienta que o acesso com fins científicos não pode ser proibido mesmo que o rio esteja em terreno privado. “Sempre que haja interesse público no rio, como o caso desta proposta que fizemos e que está em estudo, sobrepõe-se ao direito privado”, sublinhou. O vereador do PSD na Câmara de Torres Novas, João Quaresma, diz não ter quaisquer dúvidas que o rio é público e que o espaço deveria ser de acesso total ao público.

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