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Comunicado falso põe em causa serviços e administração do Hospital de Santarém
Equipa da via verde AVC esteve com menos um elemento durante 12 horas

Comunicado falso põe em causa serviços e administração do Hospital de Santarém

Fonte anónima escreveu e divulgou um comunicado falso em nome do hospital, baseado em informações transmitidas ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes, o que criou alarmismos desnecessários. O hospital pediu o desvio de doentes com AVC ou enfarte, transportados em ambulância, num período de 12 horas, mas o que circulou dava a entender que o hospital deixava de dar assistência a estes pacientes.

Edição de 30.09.2020 | Sociedade

Uma fuga de informação reservada do Hospital de Santarém, e a utilização do logotipo da unidade hospitalar, para difundir um comunicado com informação deturpada, podia ter representado riscos para a população. A presidente do conselho de administração do hospital, Ana Infante, em declarações a O MIRANTE, refere que a divulgação pública de orientações internas de emergência, prejudica a imagem da instituição e cria um alarmismo social desnecessário.
Em causa está a difusão num site de bombeiros na Internet, e nas redes sociais, de um comunicado elaborado por desconhecidos, como se de um documento do hospital se tratasse, baseado em informações reservadas enviadas pelo hospital ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU). A comunicação dizia respeito à necessidade de encaminhamento de doentes suspeitos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e enfarte para outros hospitais. Situação que é normal nos hospitais sempre que há períodos de falta de capacidade de atendimento, seja por falta de profissionais, por elevada afluência de utentes, ou outras situações imprevisíveis.
Na quinta-feira, 27 de Agosto, a equipa da via verde AVC e enfarte estava desfalcada, devido à falta de um médico e o hospital optou por informar o CODU pedindo para que os doentes transportados pelas equipas de socorro fossem desviados. A situação só durou entre as 08h00 e as 20h00, altura em que a equipa médica ficou completa. Estava designado o Hospital de S. José em Lisboa para receber os doentes, o que acabou por não acontecer, uma vez que não houve nenhuma emergência nesta área. Ana Infante esclarece que os doentes com sintomas das patologias em causa que se deslocassem pelos seus meios ao hospital seriam atendidos.
O desvio de doentes é uma situação normal, articulada entre hospitais e o CODU, e acontece algumas vezes. Ana Infante lamenta que tenham feito circular a informação em nome do hospital, sem datas e com informações erradas, que só teve como consequência provocar o pânico. O caso podia até deixar a população em risco, com as pessoas a não irem ao hospital pensando que não tinha assistência, o que era errado.

Hospital desvia doentes urgentes para outras unidades

O Hospital de Santarém pediu que os doentes urgentes sejam encaminhados para outras unidades hospitalares por ter 19 médicos da escala do seu Serviço de Urgência ausentes, quatro deles com Covid-19 e 15 em isolamento por “contacto de alto risco”. O hospital prevê “retornar à actividade normal” na próxima semana.
Em comunicado, o director clínico do Hospital Distrital de Santarém (HDS), Paulo Sintra, afirma que esta unidade de saúde “enfrenta uma diminuição na sua capacidade de resposta”, dada a ausência destes clínicos e ao facto de o Serviço de Internamento, onde se encontram internados nove doentes positivos e 42 suspeitos, estar “sobrecarregado pela falta de profissionais disponíveis”.
Até sexta-feira, dia 4, o Serviço de Urgência do HDS “mantém-se disponível para atender todos os utentes que se desloquem pelos seus próprios meios, tendo sido comunicado ao CODU [Centro de Orientação de Doentes Urgentes] que todos os outros doentes, com especial enfoque nos doentes emergentes, sejam encaminhados para os Serviços de Urgência de outras unidades hospitalares”.
A administração do HDS sublinha que a crescente capacidade de testar pessoas suspeitas de Covid-19 (mais de 12 mil testes realizados até ao momento), as medidas de segurança e higienização implementadas, a contratação de profissionais suplementares e o esforço de todos os profissionais com cancelamento de férias e aumento de turnos de urgência não foram suficientes para evitar a situação actual.

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