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Obras para salvar o Mouchão da Póvoa não saíram da gaveta
Matos Fernandes (à esquerda) visitou o mouchão da Póvoa com Alberto Mesquita (à direita) em Agosto de 2018 e prometeu obras que nunca avançaram

Obras para salvar o Mouchão da Póvoa não saíram da gaveta

Ilhota no meio do Tejo está a ficar submersa e o presidente da Câmara de Vila Franca de Xira critica a inércia do Governo. Intervenção chegou a ser anunciada em 2018 mas nunca avançou.

Edição de 30.09.2020 | Sociedade



O presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, manifestou-se indignado com o atraso das obras de recuperação do Mouchão da Póvoa, anunciadas há dois anos pelo Governo. Em declarações à agência Lusa, o autarca socialista afirmou que é com grande desgosto que vê a ilha no meio do Tejo a desaparecer de dia para dia.
“Já não tenho palavras para descrever o desgosto que tenho ao assistir à destruição do mouchão. Grande parte está alagada e corre um risco sério de desaparecer”, alertou Alberto Mesquita. O Mouchão da Póvoa, com 1.200 hectares, é um dos três mouchões existentes no concelho de Vila Franca de Xira e caracteriza-se pela actividade agrícola ali desenvolvida pelos antigos proprietários.
Em 2016, a Câmara de Vila Franca de Xira alertou a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para a existência de um rombo grave num dos diques de protecção do Mouchão.
Depois de vários alertas, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, chegou a anunciar em Maio de 2018 a reabilitação do Mouchão da Póvoa, numa intervenção orçada em cerca de 1,7 milhões de euros. Contudo, a obra, com previsão de conclusão até ao final do ano de 2018, nunca chegou a arrancar, devido a “novas exigências da APA”.
As obras previam a reconstrução do troço do dique e de uma porta de água, que foram destruídos, e também a reposição nas traseiras do dique de parte dos terrenos que foram arrastados do interior do mouchão para o leito do Tejo. “Chegamos ao dia de hoje e a obra nunca começou. Agora fala-se de que poderá ser incluída nas compensações para a construção do futuro Aeroporto do Montijo. É lamentável”, afirmou o autarca.
No mesmo sentido, o ambientalista Pedro Santos, da Quercus, lamentou a inoperância das autoridades para resolver o problema do Mouchão da Póvoa. “Estamos a falar de uma das zonas mais sensíveis e importantes para o equilíbrio ambiental, que é o estuário do Tejo. Tenho dúvidas que se a situação se arrastar por muito mais tempo ainda haja algo para recuperar, tendo em conta a velocidade de degradação”, apontou.

Os planos do Ministério do Ambiente
Fonte do Ministério do Ambiente e da Transição Digital referiu à Lusa que com a emissão da Declaração de Impacto Ambiental (DIA) do futuro Aeroporto do Montijo, que prevê a “alocação do Mouchão da Póvoa e a sua adequação como refúgio e zona de alimentação de avifauna”, este projecto poderá vir a ser integrado nas medidas compensatórias.
A mesma fonte adiantou que, no final de 2019, foi adjudicado um novo levantamento topo-hidrográfico, realizado já em 2020, para permitir avaliar a nova situação do referido rombo.
De acordo com o ministério, em Maio deste ano foi instaurada uma acção de reconhecimento de propriedade privada, pela massa insolvente da Ilha-Indústria Agrícola, SA, tendo a APA prestado o habitual apoio ao Ministério Público para a contestação.

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