uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Miguel Alves governa a Junta do Sardoal  e faz frente ao presidente da câmara 
Miguel Alves diz estar nos seus planos um dia ser candidato a presidente da Câmara do Sardoal mas não para já

Miguel Alves governa a Junta do Sardoal  e faz frente ao presidente da câmara 

Presidente da Junta do Sardoal diz que falta habitação para fixar jovens e que a não revisão do PDM é um atraso de vida para a população

Edição de 30.09.2020 | Entrevista

O socialista Miguel Alves é presidente da Junta de Freguesia do Sardoal depois de ter vencido as eleições autárquicas de 2017 tornando-se a única junta do concelho a mudar de cor após mais de três décadas de hegemonia social-democrata. A relação com o presidente da câmara, Miguel Borges, tem vindo a degradar-se ao longo do tempo. E não são amigos. Natural de Lisboa, jogou futebol no Olivais e Moscavide. Optou por terminar a carreira desportiva e inscreveu-se na universidade. Foi viver para o Sardoal onde reside há mais de 20 anos. Ser candidato a presidente de Câmara do Sardoal está nos seus planos mas não para já. Considera que ainda tem trabalho para fazer na junta de freguesia.


Falta habitação no Sardoal, para arrendar ou comprar, e esse é um dos motivos para os jovens saírem do concelho e optarem por residir noutras cidades ou vilas próximas. A revisão do Plano Director Municipal (PDM), que não é feita há 20 anos, tem impedido a construção em muitos locais do concelho que poderiam ser aproveitados para criar novos locais de habitação. E assim trazer pessoas e empresas para o concelho.
A opinião é do presidente da Junta de Freguesia do Sardoal, Miguel Alves, que há três anos venceu as eleições pelo PS tornando-se a única junta socialista no concelho. Nesse dia o presidente da câmara municipal, o social-democrata Miguel Borges, disse à comunicação social que ia começar imediatamente a campanha para recuperar a junta de freguesia perdida.
A relação política entre Miguel Alves e Miguel Borges nem sempre foi a melhor e o autarca socialista diz que tem piorado desde que venceu a junta. “Quanto mais conheço o presidente da Câmara do Sardoal menos gosto dele. Para mim foi uma desilusão porque dávamo-nos bem e gostava dele. Acho que a política que tem feito não é a melhor. Só as suas ideias é que contam e não aceita sugestões. Temo-nos afastado desde as últimas eleições. Acredito que a vitória do PS por 22 votos tenha sido um grande amargo de boca, que ele não perdoa”, critica Miguel Alves.
O presidente da junta defende a colocação de videovigilância para reduzir os incêndios no concelho. Recorda que depois de tomar posse colocou duas brigadas e quatro funcionários da junta a patrulhar as ruas devido ao elevado número de assaltos. Avisou a população para não estranhar se vissem a carrinha. A verdade é que os assaltos cessaram. “A videovigilância é uma boa solução tanto para os incêndios, como para outras situações, mas sempre com o conhecimento da população”, reforça.
Militante do PS desde jovem, Miguel Alves foi convidado para ser cabeça-de-lista à junta de freguesia em 2017 e aceitou. Achou que podia fazer algo diferente. O seu executivo construiu um parque fitness, adquiriu um kit para incêndios e um aspirador urbano, que não existiam. Construíram um baloiço na aldeia de Entrevinhas. Recuperaram todos os edifícios que pertencem à junta, nomeadamente a sede, o edifício onde funciona a Filarmónica Sardoalense e o rinque desportivo da vila.
Miguel Alves diz que será novamente candidato à Junta do Sardoal nas eleições de 2021. E não descarta candidatar-se à câmara, mas não para já. “Acredito que ainda tenho trabalho para fazer na junta de freguesia”, sublinha. Se fosse presidente de câmara, apostaria na recuperação das casas degradadas, sobretudo na zona histórica da vila. “A câmara poderia expropriar essas habitações e ir construindo aos poucos, criando alojamentos locais ou casas para arrendar. Seria uma nova dinâmica para a vila, que precisa de mais movimento”, refere.

“Presidente da Câmara do Sardoal faz política de baixo nível”
A proposta da maioria PSD na Câmara do Sardoal para a criação de uma zona industrial em Andreus foi o mais recente episódio a causar atrito entre os presidentes da junta e da câmara. Segundo Miguel Alves, o presidente do município disse, na assembleia municipal de Junho, que tinham que avançar com o projecto pois o tempo escasseava para a candidatura aos fundos comunitários.
“Não solicitámos a retirada do ponto, apesar de termos algumas dúvidas sobre o projecto, para não nos culparem de falta de apoio. Por isso abstivemo-nos, como aconteceu em sessão camarária. No dia seguinte, o presidente Miguel Borges foi para as redes sociais escrever que o presidente da junta não quer o desenvolvimento para a sua aldeia uma vez que Andreus pertence à Junta do Sardoal. É política de muito baixo nível. Não se faz”, critica Miguel Alves.
O autarca afirma que uma boa rede de comunicações é fundamental para captar empresas. E diz que Andreus é uma zona sem rede e se o município quer construir ali uma zona industrial tem que garantir uma boa rede de comunicações móveis.
Miguel Alves afirma que foram a primeira freguesia do país a adquirir beateiras que pretendiam instalar no exterior dos espaços comerciais do concelho, mas o presidente da câmara não autorizou. “Acredito que isso só aconteceu porque a junta pertence a um partido diferente. A câmara avançou com vasos nas ruas, para o lixo, com logótipos do município. O presidente Miguel Borges disse que detestava as beateiras que tínhamos adquirido, que eram feias e não estavam estruturadas para o conceito do Sardoal. Tenho que aceitar”, lamenta.

No interior a proximidade leva os cidadãos a cobrarem mais as promessas dos políticos

Miguel Alves nasceu a 8 de Agosto de 1973, em Lisboa, e viveu na zona de Moscavide até aos 25 anos. Os pais nasceram e cresceram na mesma rua da localidade do Carvalhal de Baixo, concelho de Abrantes. O pai foi trabalhar cedo para Lisboa, onde o avô de Miguel já trabalhava como construtor civil. A mãe mudou-se para a capital mais tarde. Miguel Alves visitava o Sardoal aos fins-de-semana e foi lá que conheceu a esposa, Rita, com quem está casado há 21 anos.
Começou a jogar futebol em criança e foi atleta do Olivais e Moscavide até ser sénior. Quando chegou a sénior teve convites do Olhanense e Torrense mas preferiu ir para a universidade e colocou um ponto final no futebol. Inscreveu-se em Direito, mas começou a trabalhar num banco e não conseguiu conciliar o trabalho e os estudos. “Quero voltar à universidade e concluir a licenciatura de Direito. Até como forma de homenagear os meus pais”, garante.
Foi gerente bancário em Lisboa. Quando surgiu a oportunidade de trabalhar no balcão em Abrantes não pensou duas vezes e foi nessa altura que se casou. “O meu pai perguntava-me o que é que eu ia fazer para a terra, que nos construia uma casa em Lisboa. A minha esposa sempre gostou do Sardoal e eu também, por isso vim ao seu encontro. Podia ter mais oportunidades de trabalho em Lisboa, mas sou muito feliz aqui ”, confessa.
É militante do PS desde 1993 mas só teve consciência política anos mais tarde. Participava em torneios de futebol organizados pelo PS e para isso tinha que ser militante. Foi coordenador da Juventude Socialista de Moscavide.“Entendi o que era a política quando me convidaram para membro da Assembleia de Freguesia de Moscavide”, conta.
Trabalhou na banca durante 21 anos, até que um grave problema renal o obrigou a nove cirurgias. Andou um ano em tratamentos e decidiu que a melhor opção era deixar a actividade bancária. Tornou-se empresário. É sócio-gerente de um café, com esplanada e salão de jogos, no centro do Sardoal. Além de presidente de junta, a meio tempo, é treinador de futebol dos “Lobos” do Carvalhal, que jogam no campeonato do Inatel.
Quando foi viver para o Sardoal afastou-se da política mas não resistiu aos convites. Em 2009 não aceitou mas em 2013 integrou as listas do PS à assembleia municipal. Em 2017 venceu a Junta do Sardoal. Miguel Alves considera ser mais fácil fazer política no interior do país porque as pessoas conhecem-se melhor e há mais cuidado no tipo de política que se faz. Mas também é mais complicado exactamente pelas mesmas razões: “A proximidade com as pessoas leva a que os cidadãos cobrem as promessas dos políticos e levem tudo mais a peito. Concordo em absoluto com isso. Por isso a política no interior é mais cuidada”.

Miguel Alves governa a Junta do Sardoal  e faz frente ao presidente da câmara 

Mais Notícias

    A carregar...

    Capas

    Assine O MIRANTE e receba o Jornal em casa
    Clique para fazer o pedido