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Alunos vão à biblioteca fazer trabalhos  mas são poucos os que requisitam livros
Lúcia Lopes, assistente operacional afecta à biblioteca e Cláudia Morgadinho, professora bibliotecária do Agrupamento de Escolas Vale Aveiras. Luísa Francisco e Susana Marquês, professoras bibliotecárias no Agrupamento de Escolas Templários, em Tomar

Alunos vão à biblioteca fazer trabalhos  mas são poucos os que requisitam livros

As bibliotecas escolares são mais do que um depósito de livros. É ali que muitas crianças e jovens têm o primeiro contacto com a leitura e aprendem a pesquisar informação, mas também aí a pandemia veio mudar hábitos e as requisições são cada vez menores.

Edição de 02.11.2020 | Sociedade

Os alunos vão às duas bibliotecas escolares do Agrupamento de Escolas Vale Aveiras, em Aveiras de Cima, para fazer os trabalhos de casa ou aceder à Internet, mas são poucos os que requisitam livros. Quem o diz é Cláudia Morgadinho, professora e bibliotecária, responsável pelas duas bibliotecas do agrupamento e os seus 7.500 livros. “Mas há excepções”, adverte. “Há alunos que, por exemplo, requisitam muita literatura juvenil” e só depois “vêm as leituras obrigatórias”, acrescenta.
A 26 de Outubro, Dia da Biblioteca Escolar e data da visita de O MIRANTE à biblioteca da EB 2,3 Vale Aveiras, saiu da estante “A Fada Oriana”, de Sophia de Mello Breyner Andresen. Porque está esgotado nas papelarias da vila e é de leitura obrigatória.
Para Cláudia Morgadinho, uma biblioteca escolar é muito mais do que um depósito de livros. É um espaço onde há liberdade para cada aluno aceder a todos os livros disponíveis e onde podem encontrar informação fundamental, também em jornais e revistas, para uma aprendizagem ao longo da vida. É nestes espaços que cada escola deve procurar incentivar a leitura autónoma e a interacção entre alunos, por exemplo, na realização de trabalhos dinâmicos e em grupo. “É importante mostrar-lhes que um livro ou uma actividade também pode ajudá-los a passar o tempo sem estarem agarrados ao telemóvel ou computador”, diz Cláudia Morgadinho, salientando, no entanto, o papel das famílias no processo de criar hábitos de leitura.
Este é o primeiro ano de Cláudia Morgadinho, licenciada em Educação Visual e Tecnológica, como bibliotecária, apesar de leccionar no Agrupamento de Vale Aveiras há três anos. A experiência coincidiu logo com o ano atípico, devido à pandemia, onde as limitações se sentem neste espaço escolar. Os livros usados pelos alunos ficam 72 horas em quarentena, só as responsáveis pela biblioteca podem retirá-los das estantes e há cadeiras interditas para assegurar as distâncias de segurança. Inevitavelmente, a biblioteca passou a ser menos utilizada e o número de requisições diminuiu. Um cenário que se repete um pouco por todas as bibliotecas escolares da região, como na Escola Secundária Jacome Ratton, em Tomar, também visitada por O MIRANTE.

Os livros continuam
a ser um colo
Luísa Francisco, professora do 1º ciclo há 37 anos e professora bibliotecária há 15, no Agrupamento Templários, considera que, apesar de este ser um ano atípico, os alunos devem continuar a levar livros para casa. O objectivo é incutir-lhes hábitos de leitura, o que tem sido um sucesso nesta escola. “Os livros continuam a ser um colo. A primeira relação das crianças com os livros é com os pais em casa. Muitas vezes lêem com os filhos ao colo. Na biblioteca queremos manter esse sentido maternal para que os mais novos e mais velhos se sintam bem, num espaço acolhedor”, diz.
Susana Marquês, professora há 26 anos, há dois como professora bibliotecária no mesmo agrupamento de Tomar, enfatiza que as bibliotecas escolares são fundamentais para incutir e instigar o hábito de leitura nos alunos. A biblioteca da Escola Secundária Jacome Ratton dispõe de cerca de 11.200 documentos impressos e 18 computadores para um total de 808 alunos, e é muitas vezes utilizada pelos alunos para fazerem os trabalhos de casa ou para o estudo. Ali podem usar os computadores, mas não é permitido o acesso às redes sociais. O uso de telemóvel está também interdito.

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