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Pompeu Capelo: um chef de cozinha  que também é um cidadão do mundo
Para o chef da Dunany Foods tem que haver amor e dedicação no trabalho

Pompeu Capelo: um chef de cozinha  que também é um cidadão do mundo

Pompeu Capelo é chef de cozinha na Dunany Foods, uma empresa de Samora Correia líder na produção de comida preparada. Aos 59 anos, já trabalhou em seis países, mas foi em Portugal, no Ribatejo, que encontrou a liberdade que precisa para continuar a sua arte profissional. As receitas, diz, são preparadas com o mesmo amor de quem está a cozinhar para a família. Em entrevista a O MIRANTE garante que o seu sucesso é o sucesso da empresa, que se deve exclusivamente ao trabalho em equipa.

Edição de 02.12.2020 | Entrevista


Cozinhar é uma forma de demonstrar o nosso amor pelos outros. Tem de existir entrega e dedicação à arte. As afirmações são de Pompeu Capelo, um chef de cozinha que, aos 59 anos, afirma ter um único propósito na vida: trabalhar para ver os outros felizes.
As ideias do chef Pompeu ganham vida na Dunany Foods, uma empresa líder na produção de comida preparada, sediada em Samora Correia, concelho de Benavente. A trabalhar consigo tem uma equipa com cerca de meia centena de pessoas. Preparam vários tipos de refeições, desde massas, lasanhas, risotos e pratos assados. A filosofia é comum: cozinhar para milhares de pessoas como se estivessem a cozinhar para as suas famílias ou amigos.
O MIRANTE foi a Samora Correia almoçar com Pompeu Capelo e com a administração da Dunany Foods. A conversa foi realizada enquanto o chef preparava pato confitado, risotto de cogumelos e uma lasanha à portuguesa; três refeições que vão estar disponíveis muito em breve nas lojas dos grupos Sonae e Auchan. Neste momento, são produzidas cerca de 40 mil refeições por semana. A ideia é, afirmam, triplicar a produção nos próximos seis meses. Se esta condição se confirmar vão ter de contratar mais mão-de-obra, contribuindo assim para o desenvolvimento económico do concelho de Benavente.
As refeições têm uma validade que varia entre os cinco e os 30 dias, conseguida através de processos de atmosfera modificada e de pasteurização de alimentos. “A nossa comida não é de plástico. Conseguimos através destes processos mantê-la tão ou mais fresca do que nos restaurantes”, assegura. É a pensar na sustentabilidade do planeta que a empresa não utiliza plástico. “Procuramos alternativas que possibilitem a preservação do meio ambiente. São pequenas atitudes que podem fazer toda a diferença no futuro das gerações”, salienta.
O trabalho em equipa é a alma do negócio e o factor que mais tem contribuído para o rápido crescimento da Dunany Foods. Embora Pompeu Capelo seja o líder, e o cérebro de todas as receitas, é a cooperação e a dedicação entre todos que faz com que as coisas resultem. “Eu ensino as técnicas, mas se não houver amor e dedicação as coisas não funcionam. Tenho de saber transmitir isso. Não existem maus colaboradores, mas sim líderes fracos”, sublinha.

UM CIDADÃO DO MUNDO QUE SE SENTE EM CASA NO RIBATEJO
Pompeu Capelo trabalhou em seis países. Nasceu em Penamacor, distrito de Castelo Branco, e aos seis anos emigrou com os pais para França. Os tempos livres eram passados na cozinha da sua casa. A mãe ia para o trabalho e era ele quem, mais tarde, começava a preparar o jantar para a família. Regressou a Portugal 12 anos depois e foi trabalhar, a lavar tachos, na cozinha de um grande hotel em Lisboa. O trabalho era duro, mas a azáfama daquela cozinha era “fascinante”. O chef executivo reparou no seu potencial e, em poucos meses, tornou-se no seu braço direito. “Trabalhava 12 horas por dia, sem descanso, mas foi essa experiência que fez de mim o que sou hoje”, garante.
Aos 24 anos Pompeu percebeu que não queria tornar-se escravo do trabalho. Tinha de aprender a viver a vida e viajar pelo mundo para aperfeiçoar e ampliar os seus conhecimentos. Apanhou o avião para a Madeira e durante um ano foi o chef principal de um pequeno hotel. A experiência serviu, diz, para entender a dificuldade que existe em gerir pessoas.
Entretanto esteve dois anos em Macau, até chegar ao Canadá onde esteve uma dezena de anos. Seguiu-se Havana, Cuba, onde diz ter vivido os seus melhores momentos, numa cidade que é velha, mas cheia de vida. Em Cuba conheceu um dos administradores da antiga Dunany Foods. Tornou-se sócio da empresa, e foi trabalhar para a fábrica em Espanha.
Chegou a Samora Correia há cerca de um ano e meio para ajudar a implementar um projecto que aposta na qualidade, com um preço justo, em que os produtos sejam o mais saudáveis possíveis, com receitas baseadas na cozinha tradicional mas com uma escala industrial. “Tenho a sorte de amar o que faço e de o fazer com amigos. Os nossos produtos só são bons porque existe uma equipa que trabalha com paixão. Estou perto de fazer 60 anos e posso afirmar que, finalmente, encontrei a minha casa”, conclui.

Salvaterra de Magos e a exigência da mulher Letícia

Pompeu Capelo escolheu Salvaterra de Magos para viver com a sua mulher, Letícia, e a filha, Chloe, de dois anos. Em casa é, logicamente, o chef que cozinha. As refeições são confeccionadas de acordo com a vontade da mulher; comida portuguesa, italiana, árabe e mexicana são as mais comuns. Letícia não perdoa nos dias em que Pompeu está menos inspirado nas suas receitas. “Ela é muito exigente e frontal comigo quando alguma comida não lhe agrada. Diz-me sempre que para dizer que ‘está óptimo’ existe o pessoal da empresa”, confessa, com um sorriso no rosto.
O chef afirma, sem hesitar, que não podia ter escolhido melhor sítio para viver do que Salvaterra de Magos. “Sou um homem simples, que gosta do ritmo de vida das pequenas localidades. Adoro ir ao mercado comprar peixe, fruta, vegetais e pão. Sou muito amigo do homem do talho e tenho um cabeleireiro, o Martins, que é cinco estrelas”, conta, em jeito de brincadeira.

Pompeu Capelo: um chef de cozinha  que também é um cidadão do mundo

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