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Restaurantes às moscas ao fim-de-semana e o desalento de quem luta para pagar ordenados
César Costa, gerente do restaurante Chico do Porto, optou por encerrar no segundo fim-de-semana de recolher obrigatório. Luís Ferreira, gerente do restaurante "O Pinheiro", em Almeirim, não esconde a preocupação porque do seu negócio dependem 30 famílias de empregados

Restaurantes às moscas ao fim-de-semana e o desalento de quem luta para pagar ordenados

O recolher obrigatório a partir das 13h00 nos dois últimos fins-de-semana levou a restauração a tentar adaptar-se, mas não está a ser fácil aguentar os negócios. Em Almeirim, no restaurante O Pinheiro, resiste-se em nome de três dezenas de empregados. No Porto Alto, o Chico do Porto não abriu no fim-se-semana porque vender comida para fora nem dava para as despesas.

Edição de 02.12.2020 | Sociedade

Na zona da praça de toiros em Almeirim todos os fins-de-semana havia filas de centenas de pessoas à porta dos restaurantes da Sopa de Pedra à espera de mesa. Agora são poucas as pessoas que se vêem na zona e é para comprarem comida para levarem para casa. Com o fecho dos estabelecimentos às 13h00 ao sábado e domingo Luís Ferreira, gerente do Restaurante O Pinheiro, vai vendo a situação com preocupação, sobretudo porque do negócio dependem 30 famílias de empregados. O cenário é desolador noutras zonas da região, ao ponto de o dono do Chico do Porto, no Porto Alto, ter decidido que não valia a pena ter o restaurante aberto para servir comida para fora.
“Depois de tentarmos e a facturação ter sido um fracasso tremendo, não nos restou outra opção senão fechar para ao menos não termos prejuízo”, revela César Costa, proprietário do restaurante de comida tradicional e regional do concelho de Benavente. No domingo Luís Ferreira abriu O Pinheiro das 11h00 às 13h00. Os empregados habituados a não terem mãos a medir, vagueiam pelo espaço, conversam uns com os outros. Há um silêncio chocante para quem estava habituado ao barulho dos pratos e das conversas. No sábado o restaurante de Almeirim tinha servido 22 refeições, no domingo os almoços à mesa também não ultrapassaram as duas dezenas. Florbela Lino, de Fazendas de Almeirim, e a família foram dos poucos clientes do restaurante de Almeirim. Chegaram às 11h30, um horário que jamais pensariam ir almoçar, mas já tinha combinado pagar o almoço pelo seu aniversário e pelo da filha.
No Chico do Porto o serviço de comida para fora, que estreou a 13 de Novembro, não convenceu os clientes habituais. “Dez refeições vendidas, nem isso talvez. Não justifica a despesa que tive a comprar produtos para a confecção”, conta. Na cozinha, de machado na mão a cortar carne, e com quatro clientes na sala, César Costa, não duvida que o impacto destas medidas vai ser “tremendo e aumentar a dificuldade financeira” deste sector tão castigado nesta pandemia. Luís Ferreira realça que O Pinheiro tem uma estrutura que se adaptou à crescente procura e ao facto de Almeirim ser muito procurada pela gastronomia, constituindo um ponto turístico. Por isso, vender comida para fora representa uma ínfima parte da capacidade e não dá para as despesas.
Não é fácil chegar ao fim do mês e ter-se condições para pagar aos empregados, realça Luís Ferreira. No Porto Alto o dono do Chico do Porto, habituado ao frenesim de clientes, salienta que tem estado a manter os postos de trabalho a custo, mas, realça “esta situação é desgastante”. A máscara obrigatória para evitar a transmissão da Covid-19 acaba por ser um refúgio, escondendo a ansiedade e tristeza, como desabafa César Costa, que desde Março contabiliza uma quebra na facturação de 65 por cento.
Depois de dois fins-de-semana com toque de recolher obrigatório a partir das 13h00, o Governo anunciou no sábado, 21 de Novembro, novas medidas restritivas consoante o número de casos por cada 100 mil habitantes. Na região, Benavente e Almeirim, considerados de risco “elevado”, o terceiro mais grave, ficam livres das restrições mais apertadas, podendo manter restaurantes e comércio abertos até às 23h00. Mas não se espera o movimento que havia antes da pandemia porque há quem evite sair.

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