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Liga dos Amigos do Hospital de Santarém vive momentos difíceis mas vem aí um lar de idosos
Francisco Eustáquio, enfermeiro de formação, tem a seu cargo a direcção técnica da Liga dos Amigos do Hospital de Santarém

Liga dos Amigos do Hospital de Santarém vive momentos difíceis mas vem aí um lar de idosos

A pandemia e a decisão unilateral do conselho de administração do Hospital de Santarém de rescindir o contrato de exploração da cafetaria do piso zero fizeram de 2020 um ano particularmente negativo para a Liga. Pensando em dias melhores, o foco está agora na construção de um lar de idosos.

Edição de 04.01.2021 | Sociedade

O diferendo com o conselho de administração do Hospital de Santarém é o pior revés que a Liga dos Amigos do Hospital de Santarém (LAHS) já teve nos seus 32 anos de existência. O desabafo é de Francisco Eustáquio, director técnico dessa associação. Desde a sua criação, em 1988, pela mão de dois conhecidos médicos de Santarém, Edmundo Albergaria e Correia de Lima, o objectivo continua a ser trabalhar em colaboração directa com a administração do hospital para bem de quem ali se desloca, não só os doentes, mas também os seus familiares e até os próprios funcionários.
“Tudo o que a Liga conseguiu ao longo dos anos, os resultados positivos que teve, a que não se pode chamar lucros, é para distribuir por quem necessita”, conta Francisco Eustáquio a O MIRANTE na Unidade de Cuidados Continuados Residência Dr. Alberto Martins, inaugurada em 2007, que é também sede da Liga.
Num distrito com a dimensão do de Santarém há doentes e familiares que se deslocam de longe e que passam o dia no hospital. São doentes maioritariamente idosos e muitos deles sem recursos económicos. Foi a pensar neles que surgiu a ideia da exploração da cafetaria no piso zero do hospital. Um espaço que permitia preparar e servir pequenas refeições, disponibilizar um café, um chá ou uma simples água. Os dividendos que daí advinham tinham como destino ajudar utentes sinalizados pelos serviços sociais do hospital. Pessoas com baixos rendimentos que precisavam de ajuda quer no transporte, aquisição de medicamentos, próteses auditivas, óculos, o que fosse necessário.
Era ainda um espaço onde, apesar de exíguo, se podia guardar algum material. “Qualquer liga de amigos tem um espaço gratuito no próprio hospital onde pode guardar pertences dos utentes, preparar um café, desenvolver actividade ou reunir”, conta Francisco Eustáquio, sublinhando que a LAHS é a única liga que pagava uma renda.
Até Novembro último, data em que o conselho de administração do Hospital de Santarém rescindiu unilateralmente o contrato com a Liga, eram pagos mensalmente 61 euros pelo espaço. Um valor que o hospital considerou baixo e insuficiente para cobrir as despesas básicas como água, luz e gás.

Diferendo começou
antes da pandemia
Parado o voluntariado desde meados de Março, a cafetaria encerrou também nessa altura, mas os contactos do hospital com a intenção de tirar a Liga daquele espaço começaram bem antes da pandemia, em 2018. Neste ano o hospital informou a Liga de que o valor teria que subir para 10 a 15% do volume de facturação anual da Liga (que rondava os 20 mil euros). Um valor considerado excessivo por parte da Liga - pois o volume de facturação não pode ser confundido com lucro - que contrapôs uma proposta de 200 euros mensais, recusada pelo hospital.
Ciente de que não deverão chegar a um acordo, o director técnico da Liga garante que já procuram um novo espaço na cidade para exploração de bar. “Terá com certeza uma renda mais elevada, mas será mais rentável porque não terá os constrangimentos a que estávamos sujeitos no hospital, onde, por lei, não é permitida a venda por exemplo de bolos com creme ou salgadinhos”, explica.
Enquanto estão fora do Hospital de Santarém entregam os bens que têm conseguido angariar, como água e café, nos serviços que apoiam, como a oncologia ou a hemoterapia, e são os funcionários destes serviços que fazem a distribuição.
“Sabemos que os pacientes e os próprios funcionários do hospital têm sentido a nossa falta, foi por isso que emitimos um comunicado público há cerca de duas semanas. Sentimos a obrigação de explicar o que estava a acontecer”, refere o director clínico.

Lar de idosos é o projecto que se segue

Com esperança num futuro melhor, Francisco Eustáquio revela que o maior desejo da Liga actualmente é avançar com um novo projecto que prevê a construção de um lar de idosos no terreno contíguo à Unidade de Cuidados Continuados, junto ao Hospital Distrital de Santarém. “O nosso foco agora está neste projecto. A cafetaria também é importante, mas não vejo forma de continuar a negociar com o hospital. Considero isto um interregno à espera de melhores dias”, remata o responsável.

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