
Aterro de Mato da Cruz ainda está para durar
Comissão de acompanhamento visitou o aterro sanitário e ficou a saber que a capacidade licenciada ainda está longe de estar esgotada. Por isso o equipamento poderá funcionar mais cinco a dez anos através de novas licenças. Presidente da junta diz que é uma má notícia.
O aterro sanitário de Mato da Cruz, no alto de Arcena, em Alverca, está longe de ter a capacidade esgotada e, por isso, independentemente da licença ambiental em vigor ainda deverá funcionar mais cinco a dez anos, pelo menos. Tudo dependerá da quantidade de resíduos que ali venha a ser depositada no futuro.
A informação foi avançada pela empresa responsável pelo aterro, a Valorsul, aos membros da comissão ambiental do aterro que na última semana visitaram o espaço e ficaram a conhecer os trabalhos em curso para reabilitar as células entretanto encerradas. O presidente da União de Freguesias de Alverca do Ribatejo e Sobralinho, Carlos Gonçalves, já veio dizer que se trata de uma má notícia para a cidade e população.
O assunto veio a lume na última sessão da assembleia de freguesia do mandato. O autarca informou que numa recente reunião com a Secretaria de Estado do Ambiente foi-lhe transmitido que o tempo de vida útil do aterro é agora “indeterminado” face à capacidade que ainda tem em algumas células.
“Há compromisso de encerrar as células das cinzas inertizadas mas a capacidade de recepção depende muito do que forem as necessidades de colocação de lixo. O aterro tem capacidade para 250 mil toneladas e se em cada ano só se meterem 10 toneladas isso vai prolongar o seu tempo de actividade. Perspectiva-se um prolongamento e uma nova licença”, criticou.
O autarca voltou a defender a fixação de uma data de encerramento e exigiu que sejam disponibilizados ao público todos os estudos de impacto derivados dos anos de actividade daquele aterro. “Isso é fundamental para nossa salvaguarda e segurança”, frisou.
Perante a pressão popular e de autarcas, no final do Verão a Valorsul já havia afirmado não ter intenção de construir um novo aterro nos anos mais próximos e que está apostada em esgotar a vida útil do aterro de Mato da Cruz. A empresa garante que o equipamento ainda tem bastante capacidade para armazenar lixo e cinzas inertizadas, que são queimadas na central de incineração de São João da Talha, em Loures. No plano de actividades da empresa para o triénio 2019-2021 refere-se o início do processo de selagem de algumas células do aterro, mas não a sua completa desactivação.
