Coruche queixa-se de falta de informação sobre o novo aeroporto
A construção do novo aeroporto levou a Câmara de Coruche a assumir disponibilidade para criar uma comissão de acompanhamento, num momento em que o executivo manifesta preocupação por não estar a ser envolvido nem informado sobre um projecto com impactos directos no território.
A Câmara de Coruche manifestou abertura para constituir uma comissão de acompanhamento do novo aeroporto, sublinhando, em simultâneo, a preocupação com a falta de informação e de canais formais que permitam ao município defender os seus interesses e beneficiar dos impactos da futura infraestrutura.
O presidente da autarquia, Nuno Azevedo (PS), explicou que o município realizou recentemente uma reunião de trabalho com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo, no âmbito da preparação de um plano estratégico de desenvolvimento sustentável associado à construção do aeroporto, numa perspectiva decorrente do período entre 2026 e 2035. De acordo com o autarca, esse horizonte temporal coincide, por sugestão da CCDR, com o termo do próximo quadro comunitário de apoio, permitindo enquadrar um conjunto de projectos estruturantes para o concelho.
A necessidade de criar uma comissão de acompanhamento foi defendida, na mais recente reunião do município, pelo vereador Francisco Gaspar, que alertou para a urgência de o município assumir uma posição mais activa face aos efeitos da construção da cidade aeroportuária, das infraestruturas de apoio, da rede viária e das acessibilidades. O vereador considerou preocupante que, passados dois meses desde que apresentou uma proposta no âmbito das actividades municipais para 2026, não exista qualquer evolução concreta, sublinhando que outros municípios “estão a ganhar a dianteira” na defesa dos seus interesses.
O presidente da autarquia concordou “perfeitamente” com a constituição da comissão, mas frisou que a principal lacuna não está do lado do município. Nuno Azevedo apontou a ausência de informação por parte dos promotores da obra e a falta de uma abordagem articulada aos municípios afectados. “Não sabemos onde podemos estar presentes, onde podemos manifestar as nossas preocupações ou de que forma podemos beneficiar desta infraestrutura”, lamentou.
O autarca revela que já solicitou um agendamento de reunião com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, com o objectivo de clarificar o enquadramento do papel das autarquias no processo, sublinhando que, embora o aeroporto venha a ser construído no concelho de Benavente, os impactos irão fazer-se sentir em toda a região envolvente.
Municípios sentem-se “um pouco à margem”
Segundo Nuno Azevedo, apesar de ter sido recentemente comunicada a conclusão do estudo de impacto ambiental, Coruche e os restantes municípios da área, com excepção de Benavente, continuam “um pouco à margem” de toda a informação relevante.
O autarca referiu também que tomou conhecimento da criação de uma comissão de acompanhamento em Benavente, envolvendo membros do executivo, presidentes de junta e eleitos da assembleia municipal, admitindo que Coruche poderá adoptar um modelo semelhante. “Se for esse o critério e se for esse o entendimento, avançaremos para a criação dessa comissão”, afirmou, reiterando, contudo, que a prioridade passa por obter informação concreta e clarificar o papel do município num processo que considera determinante para o futuro do território, porque, como refere, “tudo aquilo que nos chega é praticamente zero”.

